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São José distribuirá a partir de segunda testes para detecção de metanol em bebidas

Ferramenta desenvolvida em empresa dentro do PIT permite identificar adulteração em poucos segundos; ação envolve bares, restaurantes e forças de segurança

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SÃO JOSÉ DOS CAMPOS DISTRIBUI 25 MIL TESTES PARA DETECTAR METANOL EM BEBIDAS E ANTECIPA ONDA NACIONAL DE INTOXICAÇÕES

São José dos Campos iniciou nesta semana a distribuição de 25 mil testes rápidos para detecção de metanol em bebidas alcoólicas. A ação, inédita no país na escala municipal, busca reforçar a segurança sanitária, proteger consumidores e evitar impactos econômicos em um dos setores mais sensíveis da cidade: o de bares, restaurantes, eventos e entretenimento.

Os kits foram produzidos pela Resix, empresa sediada no PIT – Parque de Inovação Tecnológica, e serão repassados às entidades representativas do setor, que farão a entrega aos estabelecimentos associados. Ao todo, foram adquiridos 250 kits, cada um com 100 testes, totalizando os 25 mil dispositivos.

A iniciativa ocorre em meio ao avanço de casos de intoxicação por metanol no país. Segundo dados do Ministério da Saúde, já são 46 casos confirmados e 8 mortes relacionadas ao consumo de bebidas adulteradas — com o estado de São Paulo concentrando a maior parte das ocorrências.

Segurança, prevenção e impacto econômico

Durante a apresentação do material, o prefeito Anderson Farias ressaltou que a ação não é apenas sanitária, mas econômica, uma vez que uma crise envolvendo bebidas adulteradas afetaria diretamente o comércio, o turismo, o transporte por aplicativo, os eventos e toda a cadeia de serviços.

“Isso é muito sério. É uma tecnologia estudada, validada, com expertise real. São José tem esse DNA de antecipar problemas: é proteger vidas e também evitar que uma crise derrube bares, restaurantes, eventos, taxistas, motoristas de aplicativo e toda a cadeia que vive do entretenimento na cidade”, afirmou.

O prefeito ainda destacou a integração entre os setores público e privado:

“O comerciante também passa a ter uma ferramenta para demonstrar que está preocupado com a segurança do cliente. Isso devolve confiança ao consumo.”

Ele também citou o papel das forças de segurança:

“A identificação de uma bebida suspeita aciona toda uma investigação. Muitas vezes, uma simples informação de um distribuidor pode fechar um elo importante. A Polícia Civil de São José tem mais de 93% de eficiência nas investigações — é uma das maiores do país.”

Como funciona o teste

O Kit RXMEOH-025, desenvolvido pela equipe da Resix, utiliza um método de oxidação seletiva similar ao processo metabólico humano. O procedimento avalia amostras de destilados e, em segundos, apresenta mudança de cor que indica a presença ou ausência de metanol.

O CEO da Resix, Mário Duarte, explicou que a tecnologia não surgiu “da noite para o dia”. A empresa já trabalhava com análises laboratoriais avançadas de bebidas e padrões importados. Diante da escalada de casos no país, acelerou a criação de uma versão de campo.

“Fizemos em semanas o que levaria dois anos. Transferimos o conhecimento de equipamentos sofisticados para um kit simples, seguro e escalável. Ele funciona de forma rápida, não exige conservação e dura de seis meses a um ano, dependendo da manipulação”, disse.

A equipe fez testes em bares, casas noturnas e diferentes cidades — inclusive no Rio de Janeiro — até chegar ao formato atual.

O kit identifica contaminações acima de 0,4%, limite escolhido após testes com cachaças artesanais, que às vezes apresentam pequenas variações naturais. Os resultados são visualizados em uma escala de cores entre amarelo, laranja e vermelho.

Duarte também explicou por que não existe um “canudo detector”:

“O canudo poderia contaminar a bebida. Para colocar um objeto dentro de algo que será ingerido, seria preciso autorização da Anvisa e uma bateria enorme de testes. É inseguro neste momento.”

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Redação do Diário de São José

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