São José dos Campos inaugurou nesta sexta-feira os primeiros ecopontos exclusivos para descarte de vidro dentro do Programa Vidro Vira Vidro, parceria com Verallia e Massfix. A instalação começa pelo centro, onde bares, restaurantes e áreas de convivência concentram grande parte das embalagens consumidas no dia a dia.
A novidade abre espaço para uma reciclagem mais eficiente, mas revela também um ponto sensível: a estrutura só funciona se moradores e comerciantes de fato separarem o vidro e caminharem alguns metros até os coletores — hábito que ainda não está consolidado na cultura local.
Os primeiros seis pontos foram instalados nas avenidas Adhemar de Barros e Anchieta e na Rua Luiz Jacinto. Ao longo de 2026, o plano prevê 45 unidades distribuídas pela cidade. Entre agora no canal oficial do Diário no Whatsapp e receba notícias em tempo real.
São José gera cerca de 400 toneladas de vidro por mês
Até agora, a coleta seletiva tradicional não separa vidro o suficiente para sustentar uma cadeia circular. Com o programa, esse material passa a ser direcionado para reciclagem industrial, reduzindo custos urbanos, emissões e a necessidade de matéria-prima virgem.
A CEO da Massfix, Juliana Schunck, foi direta ao dimensionar o impacto.
“A cidade recebe por volta de 400 toneladas por mês de vidro de embalagem. Esse volume precisa voltar para o processo produtivo.”
Ela também destacou que o programa diminui gastos públicos com limpeza urbana, já que boa parte do vidro deixará de ser misturado ao lixo comum e espalhado em áreas públicas.
O desafio é a coleta — e a indústria sabe que depende das pessoas
A head de sustentabilidade da Verallia, Sofia Wurlitzer, explicou que reciclar vidro é simples, mas coletar não é.
“Para reciclar, primeiro a gente precisa coletar. E isso depende de cada cidadão separar e levar ao ponto certo.”
Ela reforçou que cada garrafa descartada corretamente retorna como vidro novo, reduzindo energia e emissões.
“Um quilo de caco vira um quilo de vidro novo, sem perdas.”
Prefeitura cobra mudança de comportamento
Durante o lançamento, o prefeito Anderson Farias reforçou que estrutura não resolve sozinha. “Não adianta ter o ecoponto se a gente não muda o comportamento.” Siga o @diariodesaojose.com.br no Instagram.
O prefeito citou também os riscos comuns na coleta domiciliar quando o vidro é jogado misturado ao lixo, causando acidentes com coletores e elevando o custo operacional da limpeza: “Hoje muita gente ainda coloca vidro dentro do saco de lixo, misturado. Isso é perigoso e prejudica todo o sistema.”
Ao mesmo tempo, evitou tom triunfalista e admitiu que o país — não apenas São José — ainda está longe de ter uma coleta seletiva de verdade. “Como país, ainda estamos longe de ter a coleta seletiva que gostaríamos. Mas a cidade pode e deve avançar mais.”
Responsabilidade compartilhada
O programa é resultado de uma união entre iniciativa privada, poder público e logística reversa. A Verallia fornece os pontos; a Prefeitura cede os espaços; a Massfix faz a coleta e o processamento; e a população entra como peça-chave.
A CEO da Massfix resumiu a lógica em seu discurso: “Cada garrafa destinada corretamente faz diferença. Cada gesto conta.” No centro da cidade, onde bares e áreas de convivência se multiplicam, a expectativa é que comerciantes liderem a adoção.
Desde 6 de novembro, equipes da Urbam percorrem ruas e comércios fazendo orientação direta. A estratégia é acelerar a adesão, evitar que o vidro continue indo para o lixo comum e preparar moradores para o recebimento dos próximos ecopontos nas demais regiões.
Foto de capa: Divulgação










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