O vereador Carlos Abranches é candidato a deputado estadual pela Federação PSDB/Cidadania nas Eleições de 2026, em nova disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Em entrevista ao Diário de São José, o jornalista, que atua também como psicanalista e construiu reconhecimento regional em quase três décadas de televisão no Vale do Paraíba, apontou o aumento da violência na região, os gargalos da saúde pública e a proteção dos recursos hídricos como prioridades, e se apresentou como uma alternativa à polarização política.
Da televisão à Assembleia: uma candidatura de base regional
Abranches organiza a candidatura em torno do reconhecimento construído em 26 anos de trabalho em televisão, período em que, segundo ele, tornou-se conhecido em dezenas de cidades da área de cobertura da emissora regional em que atuou. Jornalista de formação e com passagem pela docência em escolas públicas e no ensino superior, ele afirma que seu projeto de vida caminhou para uma atuação social que hoje busca exercer também no campo parlamentar.
O argumento central que apresenta é o do conhecimento da região. Tendo percorrido as cidades do Vale, do litoral e da serra ao longo da carreira, o candidato se coloca como um representante com experiência para levar as demandas locais à Alesp. Já disputou o cargo de deputado estadual em 2022 e elegeu-se vereador em São José dos Campos em 2024.
Segurança: a alta da violência que preocupa
Ao tratar das prioridades, Abranches destaca um contraste que considera preocupante: enquanto o estado reduziu índices de criminalidade, o Vale do Paraíba registrou aumento em parte deles. Ele reconhece que alguns indicadores caíram em cidades da região, como furtos e roubos em determinados municípios, mas afirma que outros subiram.
O ponto que apresenta com mais ênfase é a violência de gênero. Segundo o candidato, o feminicídio na região teria subido 14% apenas no primeiro semestre de 2026. Como resposta, defende políticas de prevenção — trabalho que diz já desenvolver como vereador — e a ampliação de delegacias de defesa da mulher para cidades da região que não contam com o serviço, citando Taubaté e municípios do Vale Histórico.
Saúde: reforço à retaguarda e às cidades menores
Abranches afirma visitar quase diariamente os hospitais públicos de São José dos Campos e descreve corredores lotados de pacientes. Ele atribui a situação não à falta de empenho dos servidores, cujo trabalho diz respeitar, mas à insuficiência de equipamentos, salas cirúrgicas e espaço diante de uma demanda que inclui pacientes de outras cidades.
Sua proposta é reforçar recursos para o hospital de retaguarda em São José e, ao mesmo tempo, ampliar o atendimento nas unidades de pronto atendimento e nas unidades básicas de saúde das demais cidades da região, de modo a reduzir a necessidade de deslocamento ao polo.
Infraestrutura: alternativas à Dutra
No campo da infraestrutura, o candidato aponta o congestionamento da Rodovia Presidente Dutra como um problema central. Ele descreve a rodovia como a mais importante do país, com 402 quilômetros entre São Paulo e Rio de Janeiro, e defende a criação de caminhos paralelos para desafogar o tráfego. O candidato observa que acidentes em trechos como o de Caçapava a Taubaté chegam a travar todo o fluxo, sem que haja alternativa viável de desvio.
Posições sobre temas da Assembleia
No bate-bola realizado pelo Diário de São José, Abranches apresentou posições sobre temas em pauta na Alesp.
Sobre novas concessões de linhas de trem e metrô à iniciativa privada, condicionou seu apoio ao benefício efetivo à população. Defendeu que eventuais linhas para São José dos Campos sejam estendidas até Taubaté, atendendo mais o Vale, e destacou a importância de garantir a gratuidade na integração entre linhas. Para ele, cabe ao deputado fiscalizar e monitorar qualquer concessão no setor de transporte.
Sobre as escolas cívico-militares na rede estadual, posicionou-se contrário. Argumentou que a valorização da escola pública — com disciplina, salários melhores para professores e material didático de qualidade — torna o modelo desnecessário, e defendeu que o recurso não seja retirado da educação para outras áreas.
Sobre a ampliação das câmeras corporais da Polícia Militar, foi favorável, definindo o recurso como a democracia do olhar. Avaliou que a imagem pode revelar tanto abusos de autoridade quanto acusações injustas contra policiais, e ressalvou que o uso deve vir acompanhado de treinamento em inteligência emocional para os agentes.
Sobre a construção e gestão de infraestrutura escolar por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs), manifestou cautela. Disse ver com bons olhos ganhos tecnológicos, mas alertou para o risco de o setor privado interferir na gestão pedagógica ou impor um discurso ideológico ou religioso, e afirmou que exerceria fiscalização rigorosa sobre quem comandaria essas escolas.
Sobre a ampliação do prazo de captação de água da bacia do Paraíba do Sul para abastecer a capital, que se encerra em 31 de dezembro de 2026, deu uma resposta ponderada, sem posição fechada. Reconheceu a gravidade do abastecimento da Grande São Paulo e defendeu, antes de tudo, a proteção do Rio Paraíba do Sul. O candidato relata ter criado, como vereador, uma frente parlamentar de proteção do rio, e aponta o esgoto e os produtos químicos de empresas como os principais poluidores. Admitiu o uso de racionamento como ferramenta e afirmou que acompanharia com rigor uma eventual prorrogação do prazo.
Sobre a Sabesp, inclinou-se para a reestatização, embora tenha apresentado a posição como uma linha de reflexão a ser debatida. Relatou ter entrado com uma ação civil e criticado a empresa pela forma como conduziu a reforma de três filtros em São José dos Campos, com antecipação do desligamento da água sem aviso adequado à população — o que, segundo ele, deixou 70% da cidade desabastecida. Ele afirmou não atacar a empresa por atacar, mas cobrar qualidade em nome da população, e disse ter reservas quanto à privatização de bens essenciais, ainda que não seja contrário a privatizações em todos os setores.
Uma candidatura contra a polarização
Nas considerações finais, Abranches definiu o cuidado com as pessoas e a fiscalização da gestão pública como seus compromissos centrais. Relatou ter presenciado, em um fim de semana de campanha no centro de São José dos Campos (à época da gravação), grupos antagônicos em confronto, e afirmou que a população está cansada da polarização, que classificou como adoecedora da saúde coletiva do eleitor.
O candidato se apresentou como uma alternativa equilibrada, que não se pauta pela identificação de inimigos, e disse buscar representar não apenas São José, Jacareí e Taubaté, mas todo o Vale do Paraíba, o litoral norte e a Serra da Mantiqueira, regiões onde afirma ser reconhecido.
Quem é Carlos Abranches
Carlos Abranches é jornalista, com atuação também como psicanalista e passagem pela docência em escolas públicas e no ensino superior. Construiu reconhecimento regional em quase três décadas de televisão no Vale do Paraíba. Elegeu-se vereador em São José dos Campos em 2024, com cerca de 6 mil votos, e nesta eleição disputa uma vaga na Assembleia Legislativa pela Federação PSDB Cidadania. Em 2022, em sua primeira disputa por deputado estadual, obteve cerca de 40 mil votos, sem se eleger dentro da linha de corte da federação.
As eleições acontecem em 4 de outubro de 2026. O Diário de São José entrevista os candidatos a deputado federal e estadual que têm relação com São José dos Campos para apresentar ao eleitor suas trajetórias, propostas e posições sobre temas municipais, regionais e nacionais.
Foto de capa: Divulgação
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