O Parque Santos Dumont, na Vila Adyana, região central de São José dos Campos, completou 55 anos na sexta-feira, 23 de outubro. Foi inaugurado nessa data em 1971, em homenagem a Alberto Santos Dumont, e ocupa uma área de 46.500 metros quadrados.
A escolha do dia não foi aleatória: 23 de outubro é a data do voo do 14-Bis, em 1906, e é celebrada no Brasil como Dia do Aviador.
Cinquenta e cinco anos depois, o parque segue sendo o espaço da infância da cidade, hoje frequentado pelos netos de quem brincava ali na década de 1970. Atualmente, 20 pessoas trabalham na manutenção do espaço, em serviços de limpeza de equipamentos, varrição, plantio e administração.
Antes do parque, um sanatório para tuberculosos
O terreno tem uma história anterior ao parque. Ali funcionou o Sanatório da Sociedade Beneficente Israelita Ezra, criado em 1935 e inaugurado em 1936 por iniciativa da comunidade judaica de São Paulo para o tratamento de pacientes com tuberculose, conforme registros históricos sobre a cidade.
O hospital tinha cerca de 120 leitos, destinados a pacientes gratuitos e pagantes, e a estrutura incluía cinema, horta e pomar, distribuídos pelos mesmos 46,5 mil metros quadrados que hoje formam o parque. Com o tempo, o sanatório passou a atender pacientes de outras origens, inclusive por meio de convênios.
As atividades foram encerradas em 1966, em razão das mudanças no tratamento clínico da tuberculose e da queda no número de internações. Em 1969, a área foi desapropriada pela Prefeitura de São José dos Campos, as construções foram demolidas e o terreno deu lugar ao parque, aberto dois anos depois.
A cidade abrigou outros sanatórios no mesmo período, quando São José dos Campos era referência nacional no tratamento da tuberculose — contexto que explica a existência do Ezra naquele endereço.
O tobogã, as joaninhas e o trenzinho
Para quem foi criança no Parque Santos Dumont, três atrações marcaram época e não existem mais.
A primeira era o tobogã, de 12 metros de altura, pintado de vermelho e branco. A descida era feita sobre um saco de estopa, depois de uma subida longa pelas escadas.
A segunda eram as “joaninhas”, brinquedos giratórios de um dos parquinhos, em que as crianças ficavam de pé, apoiadas em pegadores, enquanto a estrutura rodava cada vez mais rápido.
A terceira era o trenzinho, que percorria o parque conduzido por um motorista caracterizado. Quem dirigia o veículo era Pedro Edgar Moreira da Silva, hoje funcionário público. “Parecia que era realmente uma viagem”, conta Silva, sobre o efeito que o passeio tinha nas crianças.
Silva lembra também da casinha de bonecas, instalada perto da estação do trem e que continua no parque. A proximidade das duas atrações criava uma rotina conhecida de quem era criança ali.
“Era um corre-corre danado, saíam da casa e corriam para pegar o trem”, diz.
A antiga via por onde circulava o trenzinho não desapareceu: virou pista de caminhada, uma das áreas mais usadas do parque atualmente.
Outras atrações também ficaram no caminho. O parque já teve roda-gigante, quiosques para churrasco e um circo de lona, que recebia apresentações culturais. O espaço também abrigou a Biblioteca Cassiano Ricardo. Das letras coloridas de concreto que compunham a paisagem, algumas resistem até hoje.
Três gerações no mesmo parque
A aposentada Creusa de Souza frequentava o parque na década de 1970.
“Lembro dos momentos da minha juventude, dos passeios e de como fazia parte da rotina”, diz Souza.
Décadas depois, ela voltou ao mesmo lugar em outra função: levar os netos nas férias escolares, para piqueniques e tardes ao ar livre.
“É bonito ver como o parque continua fazendo parte da história de tantas famílias de São José dos Campos”, afirma.
A professora Ana Teresa Queiroz Veneziani Lage tem no parque lembranças de duas fases distintas. Entre os 15 e 16 anos, passava as tardes em um dos quiosques com uma amiga, trocando poesias e letras de música e, às vezes, estudando. Em 1999, voltou à rotina do parque acompanhando a filha, que frequentava uma escolinha da Prefeitura instalada dentro do espaço — antes das aulas, as duas passeavam e observavam os peixes e os pássaros.
“Tenho muita saudade. O Parque Santos Dumont me faz trazer à memória momentos importantes da minha vida: a minha juventude e o momento de me tornar mãe. Quando vamos lá, volto no tempo!”, diz Lage.
Um parque sobre voar
O acervo do parque acompanha o nome. Estão no espaço uma réplica do 14-Bis em aço escovado, uma aeronave Bandeirante, maquetes de foguetes da família Sonda e “A Encantada”, réplica da casa de Santos Dumont.
O parque também tem Jardim Japonês com carpas, áreas de brinquedos, espaços com areia, jardins, lagos com fontes e academia ao ar livre. Duas escolas municipais funcionam dentro dele.
E você, qual a sua lembrança do Parque Santos Dumont? Foi a descida do tobogã no saco de estopa, a volta no trenzinho, a casinha de bonecas ou uma tarde de piquenique com a família? Conte para a gente nos comentários da nossa postagem no Instagram e no TikTok do Diário de São José. Se você tiver foto antiga no parque, manda também pelo nosso WhatsApp, (12) 99168-4049.
Foto de capa: Divulgação
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