Saúde

Carnaval em alerta: bebida adulterada pode causar cegueira irreversível

Metanol presente em álcool industrial pode atingir o nervo óptico e provocar perda permanente da visão; prisão em bloquinhos de SP reacende alerta

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Policiais disfarçados de ETs prendem vendedores de bebida adulterada e suspeito de furto em megabloco no Ibirapuera

Carnaval é festa. Mas também é risco quando a procedência da bebida é ignorada. O consumo de bebidas alcoólicas adulteradas, especialmente aquelas contaminadas com metanol, pode provocar danos severos ao sistema nervoso e atingir diretamente o nervo óptico, levando à cegueira irreversível.

A preocupação aumenta em ambientes como blocos de rua, onde há grande circulação de vendedores informais e produtos sem identificação clara. No último fim de semana, a Polícia Civil de São Paulo prendeu vendedores em meio aos bloquinhos da capital suspeitos de comercializar bebidas adulteradas. O caso reforça um alerta que não é teórico.

Segundo a oftalmologista Regina Cele da Silveira Seixas, o impacto pode ser devastador.

“A exposição a essa substância pode provocar desde visão turva e dor ocular até perda visual permanente e cegueira”, alerta.

O metanol é um álcool industrial altamente tóxico. Quando ingerido, é transformado pelo organismo em compostos que atacam o nervo óptico, estrutura essencial para que o cérebro receba as imagens captadas pelos olhos. Um dos problemas é que os sintomas podem demorar a aparecer, o que dificulta o diagnóstico precoce.

“É uma preocupação real, especialmente durante o Carnaval, quando muitas pessoas consomem bebidas alcoólicas em grande quantidade, muitas vezes sem conhecer a origem do produto. Em blocos de rua, é comum o consumo de bebidas de procedência desconhecida”, ressalta.

Sintomas podem parecer comuns, mas não são

Os sinais iniciais de intoxicação podem incluir náusea, tontura, dor de cabeça intensa e mal-estar. Quando a visão começa a ser afetada, pode surgir embaçamento, pontos escuros, dificuldade para focar ou perda parcial do campo visual.

“Não se trata apenas de produtos que entram em contato direto com os olhos. A ingestão de metanol pode ter um impacto devastador sobre a visão”, destaca Dra. Regina Cele.

O risco vai além da capital paulista. São José dos Campos e cidades da região também registram blocos e eventos carnavalescos, o que torna o alerta igualmente válido. Fiscalização existe, mas não consegue alcançar todos os pontos improvisados que surgem nas ruas durante a folia.

A recomendação médica é direta: consumir bebidas apenas de estabelecimentos confiáveis, evitar produtos sem rótulo ou vendidos de forma improvisada e procurar atendimento médico imediato diante de qualquer sintoma suspeito.

“A prevenção é a melhor forma de evitar tragédias que podem deixar sequelas para toda a vida”, conclui Regina Cele da Silveira Seixas.

Carnaval é celebração. Mas saúde não entra em modo avião durante a festa.

Foto de capa: Divulgação

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Escrito por
Dimas Vilas Boas

Dimas Vilas Boas é jornalista e editor do Diário de São José. Atua na cobertura de temas ligados à cidade, com foco em jornalismo local, análise e contexto sobre os fatos que impactam o cotidiano de São José dos Campos e região.

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