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Eleições 2026: Professor Wilson Cabral coloca ética na política e adaptação climática no centro da candidatura a deputado federal

Professor titular do ITA e doutor em economia, Wilson Cabral disputa vaga na Câmara pelo PDT defendendo qualidade técnica no Congresso, regulação financeira dos planos de saúde e redução drástica das emendas parlamentares

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Eleições 2026 Professor Wilson Cabral coloca ética na política e adaptação climática no centro da candidatura a deputado federal

O professor Wilson Cabral, docente titular do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), é candidato a deputado federal pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) nas Eleições de 2026 com uma candidatura ancorada na elevação da qualidade técnica da representação política. Em entrevista ao Diário de São José, Cabral apontou a ética republicana e a adaptação à mudança do clima como prioridades imediatas, defendeu a regulação financeira dos planos de saúde privados e propôs uma redução drástica no volume das emendas parlamentares, instrumento que considera distorcido.

Trinta anos de São José e a crítica à qualidade do Congresso

A candidatura de Cabral nasce de um diagnóstico sobre o próprio Legislativo. Morador de São José dos Campos há três décadas e professor do ITA há 28 anos, ele afirma ter acompanhado a política se deteriorar e decidiu se colocar à disposição para tentar melhorar o nível da representação na Câmara. Para o candidato, deixar que a baixa qualidade do Congresso siga afetando o cotidiano equivale a comprometer o futuro do país.

Com formação de mestrado feita no Inpe e atuação em conselhos municipais de saneamento e meio ambiente, Cabral sustenta que muitos dos temas com que trabalha têm alcance maior na esfera federal do que na estadual, razão pela qual optou por disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, e não na Assembleia Legislativa.

A ética aparece como a bandeira primordial de sua plataforma. Ele a define não apenas como combate à corrupção, mas em sentido republicano — a política orientada pelo interesse da sociedade, que ele avalia estar em processo de perda.

As prioridades para São José dos Campos e o Vale do Paraíba

Ao lado da ética, Cabral posiciona a adaptação à mudança do clima como pauta emergencial. Ele projeta um cenário de restrição hídrica já para este ano, associado a um El Niño forte, com impacto sobre o abastecimento doméstico, e avalia que municípios, estado e União se preparam pouco para isso. Nesse ponto, atribui ao parlamentar federal um papel central em destravar a legislação de adaptação climática.

A saúde ocupa lugar de destaque em suas propostas, com um recorte que ele considera pouco explorado. Além da defesa do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), Cabral chama atenção para a parcela da população paulista que recorre à saúde privada e fica, em sua avaliação, exposta a reajustes abusivos dos planos. Ele afirma ter um projeto pronto para submeter à Câmara que sujeitaria todos os planos privados de saúde à regulação financeira da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), hoje inexistente nesses termos.

Educação e ciência e tecnologia completam o conjunto. O candidato aponta a discussão sobre a reforma do ensino médio e sobre a Lei de Diretrizes e Bases como temas que exigem competência técnica no Congresso, e defende a valorização da ciência diante do avanço do negacionismo, ressalvando que a ciência não é neutra, mas fornece as bases para decisões mais acertadas.

Crime organizado: inteligência, integração e dados

Ao tratar da segurança pública, Cabral defende uma atuação dura, porém inteligente e integrada. Ele argumenta que o enfrentamento ao crime organizado não pode se restringir a um único território — de nada adianta uma operação concentrada em uma área se as regiões vizinhas ficam desguarnecidas — nem a um único indicador. Para o candidato, a segurança precisa ser analisada em contexto amplo, incluindo dados que costumam ficar de fora, como os de mortes no trânsito, que classifica também como segurança pública.

A gravidade da infiltração do crime nas instituições aparece em sua fala como alerta. O candidato menciona o envolvimento apontado de um alto oficial da Polícia Militar paulista com o crime organizado para ilustrar o grau de penetração das facções. O caso a que a menção remete veio a público em julho deste ano, quando a Operação Janus, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, citou coronéis da corporação em investigação sobre a estrutura financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os nomes está o do ex-comandante-geral da PM José Augusto Coutinho. Segundo o próprio Ministério Público, os oficiais citados não são alvos da operação, não foram denunciados nem formalmente acusados até o momento.

Cabral defende a integração de todas as forças de segurança — das guardas civis à Polícia Federal — em uma base de dados única e de alcance nacional, e aponta falhas de processo e de inquérito, e não apenas do Judiciário, como origem de decisões que soltam investigados. É favorável ao endurecimento de penas em casos específicos, mediante revisão do Código Penal, mas se posiciona contra a redução da maioridade penal e o encarceramento em massa, que associa a um custo social e financeiro elevado.

Contas públicas: uso inteligente do orçamento

Doutor em economia, Cabral rejeita o que considera diagnósticos alarmistas sobre a dívida pública. Ele argumenta que a relação entre dívida e PIB do Brasil não é das piores quando comparada à de países avançados como Estados Unidos e Japão, e que o problema central está no uso ineficiente dos recursos, não na sua escassez.

O exemplo que desenvolve é o da saúde. Para o candidato, houve uma inversão prejudicial na curva de gastos: investe-se hoje mais na alta complexidade, que é cara, e pouco na atenção básica, que previne. A consequência, afirma, é o aumento acentuado de internações por causas evitáveis — uma consulta com especialista que demora meses permite que uma doença como o câncer avance a um estágio de tratamento mais caro ou inviável. Ele diz ter feito as contas para a região do Vale do Paraíba e conclui haver orçamento suficiente, desde que aplicado com mais inteligência. Faz crítica semelhante à educação, que consome cerca de um quarto do orçamento público e ainda assim, em sua avaliação, não entrega qualidade proporcional em São José dos Campos.

Sobre a taxa de juros, Cabral avalia que já estão na mesa os elementos que permitiriam a redução da Selic — inflação sob controle e despesas ordinárias contidas —, e defende maior harmonia entre os Poderes para enfrentar o peso dos juros sobre a dívida. Para efeito de contexto, a Selic está em 14% ao ano desde a reunião do Copom de 5 de agosto, e a dívida bruta do governo geral atingiu 82,5% do PIB em julho de 2026, segundo o Banco Central.

A crítica às emendas parlamentares

É no tema das emendas que Cabral assume sua posição mais incisiva. Ele considera o instrumento hoje completamente distorcido e questiona que um deputado, que não integra o Executivo, disponha individualmente de cerca de R$ 40 milhões para aplicar onde quiser. Para o candidato, o modelo escalou para as chamadas emendas secretas e para o padrão Pix, o que precisa acabar.

Cabral relata que os recursos tendem a se concentrar nas mãos de donos de partido e de líderes de bancada, deixando os demais parlamentares à mercê dessa distribuição — dinâmica que, em sua leitura, abre espaço para corrupção. Ele defende reduzir drasticamente o volume das emendas e distribuí-las de forma mais igualitária, preservando um patamar mínimo que garanta participação social no orçamento da União.

Chega a afirmar que, em sua posição pessoal, defenderia a inexistência das emendas parlamentares, já que entende ser papel do parlamentar legislar e fiscalizar o Executivo, e não executar orçamento. Como caminho intermediário, aponta modelos participativos, como editais em que a população escolhe onde os recursos são aplicados.

Posições sobre temas nacionais

No bate-bola realizado pelo Diário de São José, o candidato trabalhou com respostas condicionais em vários pontos.

Sobre o fim da escala 6×1, declarou-se totalmente a favor, com a ressalva de que é preciso regulamentar e dar apoio aos segmentos empresariais mais afetados pela mudança. A PEC 221/19, que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais sem perda salarial, foi aprovada pela Câmara em dois turnos em 27 de maio deste ano, por 461 votos a 19 no segundo turno, e está no Senado.

Sobre a regulamentação da inteligência artificial e das redes sociais, considerou-a absolutamente necessária. No caso da inteligência artificial, alertou para os riscos de manipulação de imagens e vídeos e para o futuro próximo da tecnologia, defendendo uma regulação que não iniba os benefícios da ferramenta. Quanto às redes sociais, criticou a concentração de poder econômico nas grandes empresas de tecnologia e defendeu salvaguardas.

Sobre segurança, reiterou ser favorável ao endurecimento de penas em casos específicos e contrário à redução da maioridade penal, que avalia ser uma medida que não resolve o problema e tende a alimentar reduções sucessivas. Defendeu enfrentar as causas — educação, cultura e saúde — e repensar o modelo de encarceramento, citando criticamente o exemplo de El Salvador.

É contra a legalização dos jogos de azar, com menção específica e enfática às apostas esportivas. Sobre o sistema eleitoral, afirmou confiar nas urnas eletrônicas, lembrando que parte do desenvolvimento delas ocorreu na instituição onde trabalha.

Quanto à privatização de empresas estatais, adotou posição condicional: é contra a privatização pela privatização e defende manter sob controle estatal setores estratégicos, criticando o modelo adotado no saneamento, incluindo a operação da Sabesp em São Paulo. Citou as terras raras como área em que uma participação estatal traria ganho de soberania, e lembrou que a Embraer foi privatizada apenas depois de consolidar, como estatal, a base da indústria aeronáutica nacional.

Sobre mais impostos sobre grandes fortunas, posicionou-se a favor, defendendo a tributação de lucros e dividendos e de remessas ao exterior, e uma reforma que torne a carga tributária progressiva, aliviando o peso sobre o consumo, que recai proporcionalmente mais sobre quem ganha menos.

Quem é Wilson Cabral

Wilson Cabral é professor titular do ITA e doutor em economia, com mestrado realizado no Inpe. Mora em São José dos Campos há 30 anos e atua há mais tempo em conselhos municipais nas áreas de saneamento e meio ambiente. Disputa a Câmara dos Deputados pelo PDT.

Em suas considerações finais, defendeu uma mudança radical na qualidade do parlamento e a eleição de representantes capazes de integrar políticas públicas — educação com cultura, saúde com meio ambiente. Afirmou manter propostas e projetos de lei já elaborados disponíveis em seu site, e pediu que os eleitores acompanhem e divulguem suas ideias.

As eleições acontecem em 4 de outubro de 2026. O Diário de São José entrevista os candidatos a deputado federal e estadual que têm relação com São José dos Campos para apresentar ao eleitor suas trajetórias, propostas e posições sobre temas municipais, regionais e nacionais.

Foto de capa: Divulgação

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Escrito por
Dimas Vilas Boas

Dimas Vilas Boas é jornalista e editor do Diário de São José. Atua na cobertura de temas ligados à cidade, com foco em jornalismo local, análise e contexto sobre os fatos que impactam o cotidiano de São José dos Campos e região.

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