Economia

BC corta Selic para 14% ao ano, menor patamar desde março de 2025, mas não sinaliza novos cortes

Copom decidiu por unanimidade a quarta redução consecutiva de 0,25 ponto percentual; inflação ainda acima do teto da meta e cenário externo incerto travam ritmo de queda

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Banco Central corta Selic para 14% ao ano, menor patamar desde março de 2025, mas não sinaliza novos cortes

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduziu nesta quarta-feira (5) a taxa básica de juros da economia brasileira de 14,25% para 14% ao ano. É o menor patamar da Selic desde março de 2025, quando estava em 13,25%, e a quarta redução consecutiva de 0,25 ponto percentual — o mesmo ritmo adotado nas reuniões de março, abril e junho. A decisão foi unânime entre os oito diretores do colegiado, incluindo o presidente Gabriel Galípolo.

O argumento central para o corte foi a desaceleração da inflação. Em julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo — prévia (IPCA-15) registrou alta de apenas 0,06%, acumulando 4,52% nos últimos 12 meses — ainda acima do teto da meta oficial, que é de 4,5%. A meta central do governo é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Apesar do corte, o Copom evitou sinalizar a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário nas próximas reuniões, condicionando decisões futuras ao comportamento dos dados econômicos e das projeções de mercado. O comunicado afirma que “a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando a assegurar a convergência da inflação à meta”.

Inflação cede, mas ainda preocupa

O Banco Central reconheceu a melhora recente dos preços, mas manteve cautela. O colegiado avaliou que “a inflação cheia desacelerou, porém ainda acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes desaceleraram para patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta”.

As projeções do Copom para o IPCA são de 5,1% ao final de 2026, recuando para 3,8% no quarto trimestre de 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028. O mercado financeiro projeta IPCA de 5,03% para o encerramento deste ano, ante 5,12% estimados na semana passada, segundo o Boletim Focus — relatório elaborado a partir das projeções de aproximadamente cem instituições financeiras consultadas pelo Banco Central. O resultado oficial do IPCA de julho será divulgado na próxima terça-feira (11).

O BC também apontou que “a atividade econômica indica resfriamento gradual, embora o mercado de trabalho continue aquecido” — combinação que limita o espaço para cortes mais agressivos.

Cenário externo e fiscal travam ritmo de queda

Dois fatores externos ao controle do Copom pesaram na decisão de não sinalizar novos cortes. O primeiro é o ambiente internacional. O comunicado destaca que “o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas”, o que limita o ritmo de queda e eleva a instabilidade no mercado de matérias-primas.

O segundo fator é fiscal. O Banco Central reafirmou que “o Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”.

O que dizem os economistas

As opiniões do mercado sobre os próximos passos da Selic divergem. Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, avalia que a melhora dos indicadores de inflação e uma eventual queda do petróleo podem abrir caminho para mais um corte ainda em 2026. “A expectativa é fechar o ano com Selic em 13,75% ao ano se não tiver reaceleração dos preços do petróleo que contaminem a inflação corrente”, disse.

Já Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra, pondera que a queda do petróleo, por si só, não justifica uma aceleração do ciclo. “Ela reduz o risco de combustíveis, fretes e insumos voltarem a pressionar os preços”, avaliou.

Em sentido contrário, Jeff Patzlaff, especialista em investimentos, não vê espaço para novos cortes após o de hoje. “Sem um controle real dos gastos públicos, não vejo espaço para redução dos juros até o fim do ano após este corte. E com a inflação pressionada, o Banco Central não tem margem para iniciar cortes de curto prazo”, afirmou.

Cassio Viana de Jesus, diretor da Pilar Capital, reforça a visão pessimista: “O cenário externo continua marcado por riscos fiscais, institucionais, monetários e diplomáticos capazes de afetar câmbio, prêmio de risco e expectativas de inflação de forma mais persistente.”

Lula cobra queda dos juros

Horas antes da decisão do Copom, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o nível dos juros no Brasil em entrevistas aos podcasts Meteoro Brasil e Os 3 Elementos. “Temos que cuidar para que, do ponto de vista econômico, a gente tenha bastante seriedade fiscal para não gastar aquilo que a gente não tem e, ao mesmo tempo, trabalhar para reduzir a taxa de juros”, disse o presidente. Lula também afirmou que “o único gasto que a gente faz de verdade é pagar R$ 1,2 trilhão de dívida de juros” e que “aqui no Brasil, o Estado foi aprisionado pela Faria Lima.”

O que muda para o bolso do consumidor

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros sobem, o crédito fica mais caro, o consumo desacelera e os preços tendem a ceder. O movimento inverso — como o atual ciclo de cortes — barateia gradualmente empréstimos pessoais, financiamentos imobiliários e de veículos e linhas de crédito para empresas. Para investidores em renda fixa, a queda reduz o rendimento de aplicações atreladas à Selic, como o Tesouro Selic. A poupança, que já perdia para esses produtos, segue ainda menos competitiva.

Com informações do UOL.

Foto de capa: Divulgação

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Escrito por
Dimas Vilas Boas

Dimas Vilas Boas é jornalista e editor do Diário de São José. Atua na cobertura de temas ligados à cidade, com foco em jornalismo local, análise e contexto sobre os fatos que impactam o cotidiano de São José dos Campos e região.

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