O Sudeste terminou o ano de 2025 com 4,81 milhões de empresas inadimplentes, segundo dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. No período, as companhias da região acumularam R$ 113,1 bilhões em dívidas negativadas, consolidando o Sudeste como a área com maior concentração de empresas em atraso no país.
Entre os estados da região, São Paulo lidera o ranking, com 2.978.512 empresas com contas em atraso. O estado também registrou o maior valor médio de dívida por CNPJ no Sudeste, estimado em R$ 24.953,16.
Brasil encerra 2025 com recorde de empresas inadimplentes
No cenário nacional, o ano de 2025 terminou com 8,9 milhões de empresas inadimplentes, o maior patamar da série histórica do indicador. As dívidas negativadas somaram R$ 213 bilhões em dezembro.
Na comparação com o mesmo período de 2024, quando o país registrava 6,9 milhões de CNPJs inadimplentes, houve aumento de aproximadamente 2 milhões de empresas em situação de atraso.
Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o resultado reflete um ambiente econômico ainda desafiador para os negócios.
“O ano foi marcado por condições de crédito mais restritivas e custos financeiros elevados, o que reduziu a capacidade de muitas empresas de alongar dívidas e recompor capital de giro. O resultado é um aumento consistente da inadimplência ao longo dos meses, culminando em novo recorde histórico no encerramento do ano”, afirma.
Dívida média por empresa ultrapassa R$ 23 mil
De acordo com o levantamento, cada empresa inadimplente possuía, em média, 7 contas negativadas em dezembro de 2025. A dívida média por CNPJ chegou a R$ 23.818,30, enquanto o ticket médio das dívidas foi de R$ 3.380,90.
A economista explica que houve crescimento não apenas no número de empresas negativadas, mas também no valor médio das dívidas acumuladas.
“Os dados mostram que, além do crescimento no número de empresas negativadas, houve aumento do valor médio das dívidas. Isso sinaliza maior pressão sobre o fluxo de caixa, especialmente para negócios com menor acesso a crédito estruturado”, explica.
Setor de serviços concentra maior número de empresas negativadas
Entre os segmentos econômicos, o setor de Serviços liderou com 55,2% das empresas inadimplentes em dezembro de 2025. Na sequência aparecem Comércio (32,7%), Indústria (8,1%), Primário (0,9%) e Outros setores (3,1%), que incluem atividades financeiras e organizações do terceiro setor.
Na análise da origem das dívidas, o maior volume também está ligado ao setor de Serviços (31,5%), seguido por Bancos e Cartões (19,3%).
Micro e pequenas empresas concentram a maior parte da inadimplência
As micro e pequenas empresas representam cerca de 96% das companhias inadimplentes no país, totalizando 8,5 milhões de CNPJs nessa condição.
Esse grupo acumulou R$ 185,4 bilhões em dívidas e registrou média de 6,7 contas em atraso por empresa.
Segundo Camila Abdelmalack, a concentração da inadimplência nesse segmento está ligada à dificuldade de acesso a crédito estruturado.
“As micro e pequenas empresas, que representam cerca de 96% das empresas inadimplentes, têm, em geral, menor acesso a linhas de crédito estruturadas e dependem mais de recursos de curto prazo. Em um cenário de juros elevados e maior seletividade na concessão, a capacidade de renegociação e de alongamento das dívidas fica reduzida, o que ajuda a explicar a concentração da inadimplência nesse grupo”, afirma.
Sudeste concentra mais da metade das empresas inadimplentes do país
Regionalmente, o Sudeste reúne 53,8% de todas as empresas inadimplentes do Brasil, com 4,81 milhões de CNPJs negativados.
Na sequência aparecem:
- Sul: 1,45 milhão
- Nordeste: 1,37 milhão
- Centro-Oeste: 784 mil
- Norte: 535 mil
Entre os estados brasileiros, os maiores volumes de empresas inadimplentes foram registrados em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul.
Foto de capa: Banco de Imagens
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