Saúde

Saúde da mulher: prevenção e vacinação entram no centro do debate em março

Dados do INCA indicam que Brasil pode registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028; entre mulheres, câncer do colo do útero segue entre os mais incidentes

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Saúde da mulher prevenção e vacinação entram no centro do debate em março

Março costuma ser lembrado pelas homenagens do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. Mas, para além das flores e mensagens nas redes sociais, o mês também funciona como um alerta importante para um tema menos visível: a saúde preventiva feminina.

Dados recentes do Instituto Nacional de Câncer indicam que o Brasil poderá registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028, conforme a estimativa mais recente da instituição. Entre as mulheres, o câncer do colo do útero permanece entre os tumores mais incidentes, atrás apenas de alguns tipos como mama e pele não melanoma.

A doença está diretamente associada à infecção persistente pelo HPV (papilomavírus humano), vírus sexualmente transmissível extremamente comum. Segundo o Ministério da Saúde, quase 80% da população sexualmente ativa terá contato com o HPV ao longo da vida, embora na maioria dos casos o organismo elimine o vírus espontaneamente.

Quando a infecção persiste, porém, pode evoluir para lesões precursoras e, anos depois, para câncer.

Vacinação e exames ainda são os principais aliados da saúde da mulher

A principal estratégia de prevenção contra o câncer do colo do útero combina vacinação contra HPV e exames de rastreamento, como o exame citopatológico, conhecido popularmente como Papanicolau.

O Brasil oferece gratuitamente a vacina contra HPV pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, estratégia adotada justamente porque a imunização é mais eficaz antes do início da vida sexual. Ainda assim, a cobertura vacinal no país permanece abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde.

Ampliar a vacinação e incentivar a realização periódica de exames preventivos são medidas capazes de reduzir drasticamente a incidência da doença nas próximas décadas. Em países que adotaram campanhas amplas de imunização contra HPV, como Austrália e Reino Unido, estudos indicam uma queda significativa nas lesões precursoras do câncer cervical.

Para a Dra. Rosane Orth Argenta, sócia-fundadora e CEO da Saúde Livre Vacinas, os números evidenciam a importância de ações simples, mas que salvam vidas, como manter as vacinas em dia.

“A vacinação é uma das formas mais eficazes de combate à diversas doenças graves, não apenas contra o HPV. No caso das gestantes, tomar vacina ajuda a evitar complicações durante a gravidez e garante a segurança do bebê desde o momento do nascimento”, ressalta. 

Além da vacinação contra HPV, o calendário de imunização feminina inclui outras vacinas importantes ao longo da vida, como hepatite B, influenza, febre amarela e dTpa (difteria, tétano e coqueluche), especialmente no período da gestação.

Rotina corrida ainda afasta mulheres da prevenção

Apesar das recomendações médicas, muitas mulheres ainda deixam a saúde em segundo plano diante da rotina intensa que envolve trabalho, estudos e responsabilidades familiares.

Esse comportamento acaba atrasando exames preventivos e atualizações do calendário vacinal, fatores que podem comprometer o diagnóstico precoce de doenças evitáveis.

No caso do câncer do colo do útero, por exemplo, o diagnóstico em estágios iniciais aumenta significativamente as chances de tratamento eficaz e cura. Quando descoberto tardiamente, o tratamento tende a ser mais complexo e com maiores impactos na qualidade de vida.

Segundo dados do INCA, o câncer cervical ainda representa um importante problema de saúde pública em regiões com menor acesso a serviços médicos e exames preventivos, o que reforça a importância de campanhas de informação e ampliação do acesso à saúde.

Mais do que um tema restrito a datas comemorativas, especialistas defendem que o cuidado preventivo precisa fazer parte da rotina ao longo de todo o ano. Vacinação em dia, exames periódicos e acompanhamento médico regular seguem sendo as ferramentas mais eficazes para reduzir o impacto de doenças evitáveis entre as mulheres.

Foto de capa: Banco de Imagens

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Escrito por
Dimas Vilas Boas

Dimas Vilas Boas é jornalista e editor do Diário de São José. Atua na cobertura de temas ligados à cidade, com foco em jornalismo local, análise e contexto sobre os fatos que impactam o cotidiano de São José dos Campos e região.

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