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Alunos que colocaram vidro em copo de professora serão transferidos de escola em São José dos Campos

Caso foi registrado na Polícia Civil e será investigado pela Delegacia da Infância e Juventude; Prefeitura confirma que episódio é tratado como ato infracional com mediação do Conselho Tutelar

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Alunos colocam vidro em copo de água de professora em escola municipal de São José dos Campos

A professora Michele Ramos, da rede municipal de ensino de São José dos Campos, registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil após encontrar uma lâmina de vidro em seu copo com água — objeto colocado por alunos do 8º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Integrado (EMEFI) Ildete Mendonça Barbosa, no Parque Residencial União, na região sul da cidade. O caso ocorreu na manhã de terça-feira (30) e ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (1º) e nesta quinta (2). Dois dos três adolescentes identificados serão transferidos para outra unidade escolar, e o episódio está sendo tratado pela Prefeitura como ato infracional, com mediação do Conselho Tutelar.

Ramos permanece afastada da sala de aula e deu entrada no processo de abertura da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para formalizar o episódio junto à Prefeitura.

Como o vidro foi parar no copo da professora

Novos detalhes divulgados nesta quinta-feira (2) esclarecem a dinâmica do ocorrido. Segundo informações apuradas pelo OVALE, Michele ministrava uma aula prática de Ciências com o uso de microscópios para alunos de 13 e 14 anos. Esse tipo de atividade utiliza lâminas de vidro para observação de materiais — e um estudante teria se apossado de uma delas sem autorização.

Em determinado momento, a professora pediu a um aluno que enchesse seu copo com água. Aproveitando a situação, esse estudante e um colega inseriram a lâmina no copo. Uma lâmina de microscopia padrão mede 26 por 76 milímetros e tem espessura entre 1,0 e 1,2 milímetros. Se ingerida, poderia ter causado danos à saúde da docente.

Michele disse que só não bebeu a água porque percebeu cochichos e risadas entre os estudantes. Ao verificar o recipiente, encontrou o pedaço de vidro. Segundo ela, ao menos outros seis alunos que presenciaram a situação não a alertaram imediatamente.

“Há esses alunos envolvidos e outros que sabiam, mas que não fizeram nada na hora também. Eles não me alertaram na hora imediatamente. Só depois, na hora que eles viram que eu ia tomar a água naquele copo”, afirmou.

Imagens de câmeras de monitoramento da escola auxiliaram na identificação dos três adolescentes envolvidos.

Polícia Civil vai investigar o caso

Após buscar apoio jurídico, Ramos registrou a ocorrência na Polícia Civil. O caso deverá ser investigado pela Delegacia de Polícia da Infância e Juventude (Diju). A professora também foi informada pela escola de que os estudantes foram encaminhados ao Conselho Tutelar.

Em entrevista ao G1, a secretária de Educação e Cidadania de São José dos Campos, Rute Zorneta, confirmou que o episódio está sendo tratado como ato infracional, com mediação do Conselho Tutelar.

Os três adolescentes foram suspensos imediatamente até o fim do semestre. Dois deles serão transferidos para outra unidade escolar.

@diariodesaojose

Uma professora da rede municipal de São José dos Campos foi ao hospital com colapso nervoso nesta terça-feira (30) depois de encontrar um pedaço de vidro em seu copo com água — objeto colocado por alunos do 8º ano da EMEFI Ildete Mendonça Barbosa, no Parque Residencial União. A docente Michele Ramos desabafou em vídeo: “Foi degradante e fiquei em choque com a atitude de tantos em esperar o pior acontecer.” Ela também questionou a ausência de suporte psicológico para professores na rede municipal. Três alunos foram suspensos até o fim do semestre. A Prefeitura disse que o caso foi encaminhado aos órgãos competentes. A professora afirmou que pretende registrar uma Comunicação de Acidente de Trabalho. Leia a matéria completa. Envie seu vídeo com o que acontece na cidade! Whatsapp do Diário: (12) 99168-4049 DIÁRIO DE SÃO JOSÉ — O que importa para São José dos Campos e ponto. #sjcampos #saojosedoscampos #residencialuniao

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Professora cobra medidas concretas da Prefeitura

Ainda bastante abalada, Michele questionou publicamente os limites impostos aos professores e cobrou políticas efetivas de proteção aos docentes. “Qual é o limite que a gente tem que aguentar? Até que ponto eu tenho que ser forte? Para aguentar o que mais?”, disse em vídeo gravado no Hospital de Clínicas Sul, onde recebeu assistência psicológica na terça-feira.

A professora também apontou a ausência de suporte psicológico para professores na rede municipal. Segundo ela, o atendimento disponível na escola é prestado por uma empresa terceirizada, com frequência semanal, e voltado prioritariamente aos estudantes. “A escola tem psicólogos de uma terceirizada, vêm uma vez por semana para trabalhos em grupos com estudantes. Atendem alguns casos específicos de alunos, mas professores não têm”, afirmou.

Ramos disse que não pretende normalizar a situação e exigiu respostas práticas. “Eu quero coisas práticas, quero regras, estatutos, coisas para serem feitas nesse tipo de situação”, declarou.

Em nota, a Prefeitura de São José dos Campos reforçou que situações dessa natureza “são tratadas com rigor, seguindo todos os protocolos de segurança e assistência previstos, com o objetivo de preservar a integridade física e emocional dos profissionais da rede municipal de ensino.”

Foto de capa: Reprodução/Google Maps

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Escrito por
Dimas Vilas Boas

Dimas Vilas Boas é jornalista e editor do Diário de São José. Atua na cobertura de temas ligados à cidade, com foco em jornalismo local, análise e contexto sobre os fatos que impactam o cotidiano de São José dos Campos e região.

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