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Alunos colocam pedaço de vidro em copo de água de professora em escola municipal de São José dos Campos

Docente sofreu colapso nervoso na EMEFI Ildete Mendonça Barbosa; três estudantes foram suspensos até o fim do semestre e caso foi encaminhado aos órgãos competentes

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Alunos colocam vidro em copo de água de professora em escola municipal de São José dos Campos

Uma professora da rede municipal de ensino de São José dos Campos sofreu um colapso nervoso na manhã desta terça-feira (30) após encontrar uma lâmina de vidro em seu copo com água — objeto que, segundo ela, havia sido colocado por alunos do 8º ano. A ocorrência aconteceu por volta das 8h20 na Escola Municipal de Ensino Fundamental Integrado (EMEFI) Ildete Mendonça Barbosa, no Parque Residencial União, na região sul da cidade. A docente Michele Ramos disse que não chegou a beber a água porque percebeu uma movimentação incomum entre os estudantes.

Três alunos foram suspensos até o fim do semestre. A Prefeitura de São José dos Campos informou que o caso foi encaminhado aos órgãos competentes para as providências cabíveis.

Como a situação se desenvolveu

Segundo o relato da professora Michele Ramos em vídeo publicado nas redes sociais, ela percebeu cochichos e risadas entre os alunos, mas não foi informada do que havia ocorrido.

“A sala viu o que estava acontecendo e ficaram de murmurinho. Ao invés de me falar o que tinha acontecido, o que tinham colocado, o pessoal viu e eles não falaram e ainda ficaram: ‘se eu fosse você eu não beberia essa água, professora'”, disse ela.

Ramos afirmou que chegou a imaginar que alguém pudesse ter cuspido na água antes de verificar o recipiente e encontrar o pedaço de vidro. “Foi degradante e fiquei em choque com a atitude de tantos em esperar o pior acontecer”, desabafou.

A professora buscou atendimento médico no Hospital de Clínicas Sul, onde recebeu assistência psicológica. Ela informou que pretende registrar uma Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), documento utilizado para formalizar acidentes ou situações relacionadas ao exercício da atividade profissional. Apesar do abalo emocional, disse que pretendia retornar às atividades na quarta-feira (1º).

Professora questiona suporte psicológico na rede municipal

Em vídeo gravado durante o atendimento no hospital, a professora questionou os limites do que os docentes têm de suportar em sala de aula e criticou a ausência de suporte psicossocial para professores na rede municipal.

“Qual é o limite que a gente tem que aguentar? Até que ponto eu tenho que ser forte? Para aguentar o que mais?”, disse Ramos. Ela afirmou que já faz acompanhamento psicológico exclusivamente em razão das condições de trabalho. “Eu só me trato por causa desse trabalho, porque antes eu não precisava de tratamento.”

A docente também relatou que o suporte psicológico disponível na escola é prestado por uma empresa terceirizada, com atendimento semanal voltado prioritariamente aos estudantes. “A escola tem psicólogos de uma terceirizada, vêm uma vez por semana para trabalhos em grupos com estudantes. Atendem alguns casos específicos de alunos, mas professores não têm”, afirmou ao jornal OVale.

Michele Ramos disse que não pretende normalizar a situação e cobrou medidas concretas da administração pública. “Eu quero coisas práticas, quero regras, estatutos, coisas para serem feitas nesse tipo de situação ou outras, porque acontecem muitas com os alunos, com professores, com a direção”, declarou no vídeo de desabafo.

O que disse a Prefeitura

Em nota, a Prefeitura de São José dos Campos afirmou ter lamentado “profundamente” o ocorrido. A Secretaria de Educação e Cidadania informou que tomou conhecimento da situação imediatamente e que a equipe gestora da unidade escolar prestou atendimento à professora, com encaminhamento para assistência médica.

Segundo a pasta, as famílias dos três alunos envolvidos foram convocadas pela direção da escola. Os estudantes foram suspensos até o fim do semestre e o caso foi encaminhado aos órgãos competentes para as providências cabíveis.

“A Prefeitura reforça que situações dessa natureza são tratadas com rigor, seguindo todos os protocolos de segurança e assistência previstos, com o objetivo de preservar a integridade física e emocional dos profissionais da rede municipal de ensino”, diz o comunicado.

Foto de capa: Reprodução/Google Maps

Com informações de OVale.

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Escrito por
Dimas Vilas Boas

Dimas Vilas Boas é jornalista e editor do Diário de São José. Atua na cobertura de temas ligados à cidade, com foco em jornalismo local, análise e contexto sobre os fatos que impactam o cotidiano de São José dos Campos e região.

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