A Secretaria Estadual de Saúde confirmou nesta sexta-feira (10) o primeiro caso de intoxicação por metanol em São José dos Campos, também o primeiro registro em todo o Vale do Paraíba e região bragantina. Outros seis casos seguem em investigação no município.
De acordo com a Prefeitura, a vítima é um homem de 43 anos, identificado como etilista crônico, que ingeriu bebidas alcoólicas em diferentes estabelecimentos da cidade entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro. Ele apresentou sintomas como vômitos, taquicardia e sangramento gastrointestinal, sendo internado no Hospital Municipal, onde recebeu medicação, passou por exames e recebeu alta no último domingo (6).
A Vigilância Sanitária e a Polícia Civil realizaram vistorias nos locais frequentados pelo paciente e recolheram amostras das bebidas suspeitas para análise. A investigação busca identificar se há relação com o surto de bebidas adulteradas com metanol registrado em outras regiões do estado.
O metanol é uma substância usada em produtos industriais como solventes e combustíveis, altamente tóxica para consumo humano. Quando ingerido, o organismo o transforma em compostos que afetam o fígado, o cérebro e o nervo óptico, podendo causar cegueira, coma e até morte.
Em todo o estado de São Paulo, já são 25 casos confirmados, incluindo seis mortes. O governo estadual e o Ministério da Saúde montaram uma sala de situação nacional para coordenar o combate à venda de bebidas contaminadas e reforçar as ações de fiscalização.
O que é o metanol, como ele age no corpo e por que pode ser fatal (resumo completo)
O metanol é um álcool industrial — usado em solventes, anticongelantes e produtos industriais — que não deve ser ingerido: quando entra no organismo ele é transformado pelo fígado em formaldeído e, depois, em ácido fórmico, substâncias que são as verdadeiras responsáveis pelos danos graves, sobretudo ao sistema nervoso e ao nervo óptico.
O quadro clínico costuma começar com sintomas gastrointestinais e do sistema nervoso central (náuseas, vômitos, dor abdominal, cefaleia, tontura), depois evolui — em horas a dias — para confusão, sonolência, alteração da respiração e sinais neurológicos. Os sintomas visuais (visão borrada, flashes, perda da acuidade visual até cegueira) são característicos e podem aparecer tipicamente entre 12 e 48 horas após a ingestão; em casos graves a cegueira pode ser permanente.
Do ponto de vista laboratorial, a intoxicação por metanol frequentemente gera acidose metabólica com alto ânion gap e aumento do osmolar gap — marcadores que orientam o diagnóstico e a gravidade do envenenamento. O risco de lesão grave e morte está ligado à quantidade ingerida (doses pequenas já podem causar dano visual) e à velocidade do atendimento médico.
O tratamento é específico e urgente: bloquear a conversão do metanol em seus metabólitos tóxicos com um antidoto (preferencialmente fomepizol, ou etanol quando fomepizol não estiver disponível) e, quando indicado, hemodiálise para remover o metanol e o ácido fórmico e corrigir a acidose. Intervenções precoces reduzem muito a chance de cegueira e morte — por isso procurar atendimento imediatamente é crítico.
Em linguagem direta: metanol não é “álcool ruim” — é veneno. Pode não fazer efeito imediato, mas destrói visão, cérebro e órgãos internos se não for tratado a tempo. Se houver suspeita de ingestão (ou se alguém apresentar vômitos, visão borrada ou confusão depois de beber bebidas suspeitas), procure socorro médico imediatamente e, se possível, guarde uma amostra do líquido ou da garrafa para perícia.
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