São José dos Campos entrou oficialmente no mapa da crise nacional do metanol. O Ministério da Saúde confirmou, nesta sexta-feira (3), que o município tem um caso suspeito de intoxicação pela substância. A paciente é uma mulher de 47 anos, atendida no Hospital Municipal. Ela já teve alta e, segundo a prefeitura, está bem, sem risco à saúde.
Sintomas e atendimento
De acordo com a nota divulgada pela Secretaria de Proteção ao Cidadão, a mulher apresentou cólicas abdominais, dor de cabeça, diarreia e mal-estar após consumir gin em um mercado na cidade mineira de Juatuba, onde trabalha. Os sintomas começaram no último domingo (28). Sem melhora, ela buscou atendimento em São José e ficou internada para exames antes de ser liberada.
Contexto nacional
Este é o único caso em investigação no Vale do Paraíba até o momento. No Brasil, o Ministério da Saúde contabiliza 113 notificações de possível intoxicação por metanol: 101 em São Paulo (11 confirmados e 90 em análise), 6 em Pernambuco, 2 na Bahia e no Distrito Federal, e 1 no Paraná e Mato Grosso do Sul.
A suspeita principal das autoridades é que fábricas clandestinas estejam utilizando metanol para higienizar garrafas antes do envasamento ilegal de destilados, como vodca e gin. O Ministério da Saúde instalou uma Sala de Situação nacional para coordenar ações de fiscalização junto à Anvisa, secretarias estaduais e municipais.
Os riscos do metanol
Diferente do etanol, usado em bebidas comuns, o metanol é altamente tóxico e não pode ser ingerido. Incolor e inodoro, pode ser misturado de forma fraudulenta sem que o consumidor perceba. No organismo, transforma-se em ácido fórmico, substância que pode causar cegueira irreversível, falência de órgãos, coma e morte. O atendimento médico rápido é decisivo para salvar vidas.
Em São Paulo, o governo já interditou bares e apreendeu milhares de garrafas suspeitas. No Congresso, cresce a pressão para que a adulteração de bebidas com metanol seja enquadrada como crime hediondo.
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