O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), a Polícia Civil e a Polícia Militar deflagraram na manhã desta quinta-feira (6) a segunda fase da Operação Armagedom, que apura a atuação de uma organização criminosa voltada à prática de usura, extorsão e lavagem de dinheiro no Vale do Paraíba. São cumpridos 24 mandados judiciais de busca e apreensão expedidos pela Justiça de São José dos Campos.
Usura é a cobrança de juros acima do limite legal, prática popularmente conhecida como agiotagem.
Além dos mandados, a Justiça determinou o afastamento de sigilos telemáticos e o bloqueio e a indisponibilidade de bens dos investigados. O conjunto das medidas patrimoniais poderá alcançar até R$ 205,7 milhões, informou o MPSP.
Um homem apontado como líder do grupo teve a prisão preventiva decretada. Segundo o Ministério Público, ele estava submetido a regime de prisão domiciliar e manteve na própria residência o que o órgão descreve como o epicentro da coordenação das atividades criminosas.
Nenhum dos investigados foi identificado pelos órgãos responsáveis. A prisão preventiva é medida cautelar e não representa condenação.
O que apura a Operação Armagedom
De acordo com as apurações, integrantes da organização seguem realizando empréstimos com juros abusivos e cobrando devedores mediante intimidação. O MPSP afirma que o grupo oculta patrimônio por meio de terceiros que apresentam movimentações financeiras incompatíveis com as atividades declaradas.
As autoridades identificaram ainda indícios da continuidade de um esquema de lavagem de dinheiro, com utilização de empresas de fachada e de bens que não haviam sido alcançados pelas medidas adotadas na primeira fase da operação.
O trabalho investigativo localizou imóveis residenciais e comerciais, veículos de alto padrão, empresas e outros ativos supostamente usados para a lavagem, além de rendimentos de aluguéis que ultrapassam R$ 48 mil mensais. Entre os bens atingidos pelas medidas judiciais estão ao menos 37 cavalos da raça mangalarga marchador, vinculados ao principal investigado.
Cinco anos de investigação
A operação é resultado do aprofundamento de investigações iniciadas em 2021. Em novembro de 2024, o trabalho levou à primeira fase, com a prisão de integrantes do grupo e a posterior condenação de diversos acusados.
Os novos elementos indicam que a estrutura criminosa permaneceu em funcionamento mesmo após as medidas cautelares e as condenações já impostas pela Justiça.
Quem participa da operação
A segunda fase reúne integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, policiais civis do Núcleo Especial de Combate à Criminalidade Organizada (Neccold) e policiais militares do 3º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep).
Segundo o MPSP, as investigações prosseguem para a completa apuração dos fatos, a identificação de eventuais novos envolvidos, a individualização das condutas e a responsabilização criminal dos autores.
Até o fechamento desta edição, a Polícia Civil não havia divulgado balanço oficial da operação. A defesa dos investigados não foi localizada para comentar.
Foto de capa: Divulgação
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