A greve dos trabalhadores da Urbanizadora Municipal (Urbam) de São José dos Campos entrou nesta sexta-feira (17) no quinto dia consecutivo sem acordo. Segundo o Sindicato dos Empregados de Agentes Autônomos do Comércio e em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e de Empresas de Serviços Contábeis de São José dos Campos e Região (Seaac), a paralisação deve se estender ao menos até quarta-feira (22), quando está marcada uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15), em Campinas. A Prefeitura de São José dos Campos foi arrolada como parte no processo.
O sindicato tentou antecipar a discussão judicial para esta sexta-feira (17), mas o pedido foi indeferido pela Justiça.
Central 156 adere à greve da Urbam
Na quinta-feira (16), trabalhadores da Central 156 — operada pela Urbam e responsável pela intermediação entre os munícipes e os serviços municipais — aderiram ao movimento. Segundo o Seaac, cerca de 10% dos colaboradores do serviço de atendimento e 15% dos que atuam na varrição passaram a integrar a greve.
Os teleatendentes da Central 156 recebem salário de R$ 1.496,31, valor inferior ao salário mínimo nacional vigente de R$ 1.621. Entre as reivindicações da categoria estão adicional de insalubridade, progressão salarial, troca do convênio médico, ajustes nas escalas de trabalho, além de denúncias de desvio de função e assédio moral.
Sindicato denuncia pressão sobre grevistas
O ambiente de tensão ganhou novos elementos na quinta-feira. O Seaac denunciou que diversos trabalhadores começaram a receber telegramas da Urbam convocando-os a comparecer à empresa para tratar de assunto de interesse pessoal. A entidade interpreta a medida como tentativa de pressão e desgaste sobre os grevistas.
O que dizem as partes
A Urbam não comentou especificamente a adesão da Central 156 à greve. Em nota, a empresa afirmou que a execução dos serviços essenciais segue garantida em conformidade com decisão judicial proferida no Dissídio Coletivo de Greve, que determina a manutenção mínima de 70% dos trabalhadores em atividades como coleta de resíduos, varrição, serviços funerários, distribuição de medicamentos e sistemas de atendimento.
A Urbam contestou os números divulgados pelo sindicato, afirmando que o movimento conta com a participação de aproximadamente 300 pessoas — e não 2.000, como teria sido veiculado pelo Seaac.
“Tal divergência reforça que o cenário real de adesão é muito inferior ao que grupos externos e sem vínculo com a companhia tentam projetar para desorientar trabalhadores e a população”, disse a empresa em nota.
A companhia informou ainda que o descumprimento da determinação judicial sujeita o sindicato ao pagamento de multa diária de R$ 5 mil por trabalhador ausente das atividades. Segundo a Urbam, a multa é de responsabilidade exclusiva da entidade sindical, não se aplicando individualmente aos trabalhadores.
O Seaac afirma que há intransigência por parte da gestão municipal e da Urbam e que a greve é a única ferramenta disponível para forçar uma proposta de acordo. A Prefeitura e a Urbam têm defendido a ilegalidade do movimento em comunicados anteriores e mantêm o posicionamento de aguardar os desdobramentos judiciais.
A paralisação acontece desde segunda-feira, dia 13, e afeta serviços de coleta de lixo, varrição e manutenção de áreas verdes, além da execução de obras em andamento na cidade, como a reforma do Mercado Municipal e a construção do novo AME (Ambulatório Médico de Especialidades) na avenida Nelson D’Ávila.
Foto de capa: Divulgação
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