Uma nova pesquisa realizada pela SalaryFits, empresa da Serasa Experian, acende um alerta sobre o impacto silencioso do endividamento na vida dos brasileiros. Segundo o levantamento, 66% dos trabalhadores afirmam sentir aumento do estresse pessoal e profissional em razão das dívidas. O estudo aponta ainda que irritabilidade, insônia, exaustão e até depressão estão entre os sintomas mais recorrentes.
No ambiente de trabalho, os reflexos são evidentes. Metade dos entrevistados relatou mais estresse durante a jornada profissional, 47% disseram enfrentar cansaço físico constante, e 33% notaram queda na produtividade. Em muitos casos, o peso das dívidas tem se tornado um fator invisível de adoecimento coletivo, afetando não apenas o rendimento individual, mas também o clima organizacional das empresas.
O levantamento foi conduzido entre maio e junho de 2025 e contou com 1.029 entrevistas com funcionários de empresas públicas e privadas, em regime CLT ou PJ, com idades entre 22 e 60 anos. A pesquisa traça um retrato abrangente de uma realidade cada vez mais comum: a dificuldade de equilibrar finanças pessoais, saúde emocional e performance no trabalho.
O impacto invisível do dinheiro na mente
A pesquisa foi divulgada em meio à ampliação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR1), que agora obriga as empresas brasileiras a incluírem riscos psicossociais entre as diretrizes de segurança e saúde ocupacional. Mesmo com essa mudança, 52% das companhias afirmaram ainda não oferecer ações voltadas à saúde mental de seus colaboradores.
Para Délber Lage, CEO da SalaryFits, a relação entre finanças e saúde mental exige um novo olhar por parte das empresas.
“A instabilidade financeira não é apenas um problema individual, mas um fator que compromete o clima organizacional e a produção. De acordo com a nova NR1, esses riscos precisam ser mitigados”, destaca o executivo.
Segundo o estudo, apenas 21% dos trabalhadores afirmam ter total controle sobre suas contas e orçamentos pessoais, enquanto 49% precisam recorrer a recursos extras — como cartão de crédito, empréstimos ou ajuda familiar — para fechar o mês. A sobrecarga financeira, que já atinge mais de 70 milhões de brasileiros, vem se refletindo também na saúde emocional, com sintomas que vão da ansiedade à exaustão.
A falta de educação financeira como fator de risco
A pesquisa também revelou um dado que chama atenção: 87% dos entrevistados gostariam de ter educação e planejamento financeiro como benefício corporativo, e 83% acreditam que as empresas deveriam apoiar seus colaboradores na gestão financeira pessoal.
“Os trabalhadores esperam não só salários competitivos, mas iniciativas concretas de apoio, como educação financeira, crédito com melhores condições e ferramentas para gestão de recursos. Isso fortalece o vínculo entre empregadores e colaboradores”, explica Lage.
Para o executivo, a falta de controle financeiro tende a se tornar uma questão de saúde pública. Sem informação e apoio, muitos trabalhadores acabam presos a ciclos de endividamento que afetam o sono, o humor e a autoestima.
Quando o dinheiro adoece o trabalho
Entre as principais queixas relatadas pelos entrevistados estão irritabilidade constante, dificuldade de concentração e sentimento de impotência diante das dívidas. No ambiente corporativo, esses sintomas se traduzem em atrasos, queda de produtividade e aumento do absenteísmo.
Os dados reforçam um cenário já identificado por estudos do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que apontam o estresse financeiro como um dos principais gatilhos de transtornos mentais na população economicamente ativa.
O CEO da SalaryFits ressalta que o problema pode ser amenizado quando as empresas encaram a saúde financeira como parte do bem-estar corporativo.
“Educação financeira e acesso a crédito consciente são formas de prevenção. Quando as pessoas estão com as contas em dia, o nível de produtividade aumenta e o ambiente de trabalho melhora. É um benefício que se reverte em resultados para todos”, afirma Lage.
Caminhos possíveis: tecnologia e conscientização
O estudo também destaca o papel da tecnologia como aliada. Plataformas digitais que permitem adiantamento salarial sem exposição, crédito consignado privado e ferramentas de gestão financeira automatizadas aparecem como soluções de apoio que reduzem o constrangimento e facilitam o controle orçamentário.
Para Lage, o futuro dos benefícios corporativos passa por uma visão mais humana da economia.
“Tecnologia e educação financeira precisam caminhar juntas. De um lado, as plataformas digitais simplificam o acesso a soluções; do outro, a orientação adequada garante que elas sejam usadas de forma consciente. O equilíbrio financeiro é também uma forma de saúde mental”, conclui.
Foto de capa: Divulgação










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