Subiu para quatro o número de casos suspeitos de intoxicação por metanol no Vale do Paraíba, segundo o Ministério da Saúde. São dois pacientes em São José dos Campos, um em Jacareí e um em Lorena. Todos seguem em investigação pelo órgão federal e pelas vigilâncias municipais.
O metanol é uma substância altamente tóxica usada na indústria química e em solventes. Quando ingerido, o fígado o transforma em compostos que atacam o sistema nervoso, podendo causar cegueira, coma e até morte. No corpo humano, provoca ainda insuficiência pulmonar e renal, dependendo da quantidade ingerida e da rapidez do atendimento médico.
Casos no Vale do Paraíba
Em São José dos Campos, o primeiro caso suspeito é o de uma mulher de 47 anos que mora na cidade, mas trabalha em Minas Gerais. Ela apresentou sintomas após ingerir gin comprado em um mercado mineiro e foi internada no Hospital Municipal, recebendo alta após melhora. O segundo caso, também em São José, ainda está em apuração.
Em Jacareí, o paciente é um homem de 26 anos, morador do Jardim Bela Vista, que passou mal após beber cachaça. Ele chegou a ser internado na UTI da Santa Casa, mas deixou o hospital por conta própria.
Já em Lorena, uma jovem de 21 anos teve náuseas, perda de memória e mal-estar após consumir bebidas em uma festa. Ela está internada na UTI, mas se mantém lúcida e estável. Amostras de sangue foram enviadas ao Instituto Adolfo Lutz (IAL) para análise.
Situação no Estado
O governo de São Paulo informou que o Estado contabiliza 15 casos confirmados, 164 em investigação e 47 descartados. Duas mortes já foram confirmadas — ambas na capital — e outras seis estão sob apuração.
Diante do avanço dos casos, o governo paulista montou um gabinete de crise e iniciou uma série de medidas de combate à falsificação e adulteração de bebidas alcoólicas. Entre as ações estão:
- Convênio com o setor de bebidas, para treinar agentes e comerciantes e orientar consumidores sobre como identificar produtos seguros;
- Criação de um canal de denúncias para comerciantes que suspeitarem de irregularidades nas bebidas recebidas;
- Pedido à Justiça para destruição de estoques apreendidos, incluindo garrafas adulteradas e selos falsos;
- Propostas legislativas para endurecer punições contra falsificação e comercialização irregular.
Desde a semana passada, uma força-tarefa estadual já vistoriou 18 estabelecimentos, com 11 interdições cautelares em cidades da capital e Grande São Paulo. A Secretaria da Fazenda suspendeu preventivamente a inscrição estadual de seis distribuidoras e dois bares.
Apreensões e investigações
As ações policiais resultaram na apreensão de mais de 10 mil garrafas adulteradas apenas na última semana — totalizando 60 mil no ano — e 41 prisões, sendo 20 delas nos últimos sete dias. Entre os detidos está um homem apontado como principal fornecedor de insumos para falsificação de bebidas no estado.
Na Operação Última Dose, realizada nesta segunda-feira (6), foram apreendidas 3 mil garrafas adulteradas, 316 mil rótulos falsificados e diversos materiais usados na falsificação em Osasco, Americana, Sumaré e Poços de Caldas (MG).
Os exames de laboratório confirmaram a presença de metanol em bebidas de duas distribuidoras, cujos nomes foram encaminhados à Polícia Civil.
Testes e tratamento
A rede estadual ampliou a capacidade laboratorial para análise rápida de sangue e urina, garantindo resultados em até uma hora por meio do Laboratório de Toxicologia Analítica Forense da USP de Ribeirão Preto. O Estado também distribuiu 2 mil novas ampolas de álcool etílico absoluto, antídoto usado no tratamento de intoxicações.
Denúncias
Denúncias sobre bebidas suspeitas podem ser feitas pelo Disque Denúncia 181 ou pelo site www.webdenuncia.sp.gov.br. O Procon-SP também recebe informações pelo Disque 151 e no site www.procon.sp.gov.br, que agora conta com um atalho específico para casos de metanol.
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