Saúde

AVC mata mais de 85 mil pessoas por ano e já preocupa jovens brasileiros

Doença é a segunda principal causa de morte no país e tem crescido entre pessoas com menos de 40 anos; neurologista da Santa Casa de São José dos Campos reforça importância da prevenção e do reconhecimento rápido dos sintomas

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AVC mata mais de 85 mil pessoas por ano e já preocupa jovens brasileiros

O Acidente Vascular Cerebral (AVC), também conhecido como derrame, continua sendo uma das maiores causas de morte no Brasil e no mundo. De acordo com dados do Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil, a doença provocou 85.442 mortes em 2024, mantendo-se como a segunda principal causa de óbito no país, atrás apenas das doenças cardiovasculares.

O dado significa, na prática, que a cada 6 minutos, uma pessoa morre de AVC no Brasil, segundo levantamento da consultoria Planisa. No cenário mundial, a Global Stroke Action Coalition alerta para o risco de quase 10 milhões de mortes anuais até 2050, caso o avanço da doença não seja contido.

Mais jovens entre as vítimas

Tradicionalmente associada a idosos, a doença tem atingido cada vez mais pessoas com menos de 40 anos. Um estudo publicado em 2024 pela revista The Lancet Neurology aponta um aumento de 15% nos casos de AVC em adultos jovens, impulsionado por fatores como hipertensão, tabagismo, sedentarismo, obesidade, além do estresse crônico e de distúrbios metabólicos associados ao estilo de vida urbano.

Entre os fatores mais comuns estão ainda doenças autoimunes, trombofilias e, em alguns casos, sequelas indiretas da COVID-19, que aumentaram a incidência de eventos trombóticos.

Segundo o neurologista vascular Dr. Fábio Silveira dos Santos Filho, do Grupo São Lucas, a prevenção primária é a forma mais eficaz de conter o problema.

“Medidas simples, como o controle rigoroso da pressão arterial, cessação do tabagismo, redução do consumo de álcool, alimentação equilibrada e prática regular de atividade física podem reduzir em até 40% o risco de AVC”, explica.

Duas formas, um mesmo risco

A neurologista Amanda Selvátici dos Santos Dias, da Santa Casa de São José dos Campos, explica que o AVC pode ocorrer de duas formas principais: o isquêmico, mais comum, causado por um coágulo que bloqueia a passagem de sangue no cérebro; e o hemorrágico, provocado pela ruptura de um vaso sanguíneo e o consequente sangramento intracraniano.

Apesar das diferenças, ambos exigem atendimento médico imediato.

“Cada minuto conta. Em muitos casos, há uma janela de apenas algumas horas para iniciar o tratamento adequado. No AVC isquêmico, por exemplo, as medicações trombolíticas só são eficazes e seguras nas primeiras horas após o início dos sintomas. Quanto mais rápido o atendimento, maiores são as chances de recuperação”, afirma a especialista.

Ela reforça que mais de 80% dos casos podem ser prevenidos com acompanhamento médico e mudanças no estilo de vida. Controlar pressão arterial, colesterol, diabetes, evitar o tabagismo, o sedentarismo e o consumo excessivo de álcool são atitudes determinantes para reduzir o risco.

Como reconhecer um AVC

O reconhecimento rápido dos sinais é fundamental para salvar vidas. O neurologista do Grupo São Lucas recomenda o uso do acrônimo SAMU, que facilita a identificação dos sintomas de alerta:

  • S – Sorriso: observe se há desvio na boca;
  • A – Abraço: verifique se há fraqueza em um dos lados do corpo;
  • M – Mensagem (ou Música): perceba se a fala está arrastada ou confusa;
  • U – Urgência: ligue imediatamente para o 192.

Outros sintomas que merecem atenção são formigamento súbito, perda de visão, tontura, desequilíbrio e dor de cabeça intensa e inesperada.

“Em casos suspeitos, a orientação é procurar o hospital mais próximo com protocolo de AVC ativo. O tratamento rápido pode evitar sequelas graves e, muitas vezes, salvar a vida do paciente”, reforça a Dra. Amanda, da Santa Casa de São José dos Campos.

Prevenção é o melhor tratamento

Especialistas apontam que o acompanhamento regular com clínico geral ou cardiologista é a principal forma de prevenção. O controle de doenças como hipertensão, diabetes e dislipidemia (colesterol alto), somado a hábitos saudáveis e exames periódicos, é o que mais reduz o risco de desenvolver a doença.

“Há espaço no Brasil para expandir programas de rastreamento de hipertensão e diabetes, estimular o estilo de vida saudável e fortalecer campanhas permanentes de conscientização sobre os sinais do AVC”, destaca o Dr. Fábio Silveira.

Foto de capa: Divulgação

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Escrito por
Redação do Diário de São José

Núcleo editorial responsável pela produção, curadoria e edição de conteúdos do Diário de São José. Jornalismo local, independente e analítico, feito para quem vive, trabalha e movimenta São José dos Campos. Aqui, a notícia vem com contexto, olhar crítico e compromisso com o que realmente importa para a cidade.

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