A Prefeitura de São José dos Campos lançou nesta sexta-feira (24) o programa de assistência social voltado à população em situação de rua, com foco em usuários de drogas. A solenidade de lançamento foi realizada no Paço Municipal e contou com a presença de lideranças da Igreja Católica e de igrejas evangélicas, representantes de entidades sociais parceiras da administração municipal, integrantes das forças de segurança e lideranças políticas.
O programa integra o Plano de Gestão 2025-2028 da Prefeitura e prevê ações coordenadas entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, entidades sociais e religiosas e voluntários. O modelo segue estrutura semelhante ao programa São José Unida, voltado à segurança pública, mas com foco no atendimento social.
Reuniões de trabalho com lideranças religiosas, representantes dos três poderes e entidades sociais serão realizadas para definição de novas estratégias de atuação, segundo a Prefeitura.
O padre Rinaldo Roberto de Rezende, assessor de Relações Institucionais da Diocese de São José dos Campos, participou do lançamento e falou sobre a iniciativa.
“A Igreja Católica sempre participa das ações da Prefeitura, e ficamos felizes por mais esta parceria. Realmente é preciso fazer algo mais para as pessoas em situação de rua, que carecem deste apoio. Considero fundamental que este novo serviço seja descentralizado, com trabalho integrado em todas as regiões da nossa cidade”, afirmou.
Anselmo de Carvalho, presidente do Conselho de Pastores e Ministros de São José dos Campos, também esteve presente.
“As entidades trabalham apenas nas entidades. Com esta integração, vamos poder cuidar melhor de quem precisa. A integração vai ser boa para a cidade. O foco é trazer mais dignidade. A união de forças vai tornar a ajuda mais próxima de quem precisa”, disse.
Programa tem 17 equipes de abordagem e seis unidades de acolhimento
A estrutura de atendimento já em funcionamento conta com 17 equipes de abordagem social, compostas por motorista, dois educadores sociais por veículo, assistentes sociais e educadores no CSI (Centro de Segurança e Inteligência), que monitora as ocorrências. O serviço opera 24 horas por dia, sete dias por semana.
A rede de acolhimento dispõe de seis unidades com 313 vagas distribuídas da seguinte forma: 198 vagas nos abrigos masculinos, 30 no abrigo feminino, 30 no abrigo família, 25 no abrigo AVD — destinado a pessoas com limitações para atividades da vida diária — e 30 vagas sazonais. A capacidade média de atendimento é de 810 pessoas por mês, segundo dados da Prefeitura.
A cidade conta ainda com o Centro POP, que integra ações e serviços da rede de proteção social voltados a pessoas que fazem das ruas seu espaço de sobrevivência ou moradia. O equipamento funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com equipe de 16 funcionários entre assistentes sociais, psicólogos, educadores, cuidadores, auxiliares de serviços gerais, controlador de acesso e coordenação.
Saúde nas ruas, migrantes e reintegração
O componente de saúde do programa é operado por equipes compostas por enfermeira, educador social, assistente social e motorista. As equipes realizam curativos, testes rápidos, vacinas, verificação de sinais vitais, entrega de medicação diária, encaminhamento para especialidades médicas e tratamento de tuberculose e outras doenças diretamente nas ruas.
Para migrantes em situação de rua que chegam à cidade, o CAM (Centro de Apoio ao Migrante), instalado na Rodoviária Nova, oferece acolhimento, orientação e possibilidade de retorno à cidade de origem por meio de passagem custeada pela Prefeitura.
O SAI (Serviço de Acolhimento Integrado) complementa a estrutura com oficinas de empregabilidade e educação financeira, parceria com o PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador) para inserção no mercado de trabalho e cursos profissionalizantes, reforço das redes de apoio externas como Cras e Caps, incentivo à conclusão da escolaridade pela EJA (Educação de Jovens e Adultos) e visitas domiciliares para mediação de reinserção familiar.
Números de 2025
Os dados quantitativos de 2025 divulgados pela Prefeitura na apresentação do programa registram 38.089 abordagens sociais realizadas, 10.664 acolhimentos, 228 retornos familiares, 19.783 ligações atendidas pelo número 153 e 302 pessoas incluídas em programas municipais. Foram realizados ainda 2.735 recâmbios e embarques para retorno de migrantes às suas cidades de origem, com custo total de R$ 133.899,60.
As equipes também realizam ações conjuntas de limpeza urbana com a Guarda Civil Municipal (GCM), a Polícia Militar e dois caminhões da Urbam para recolhimento de cobertores, colchões, roupas e alimentos deixados nas ruas.
A população pode acionar o serviço pelo número 153, por meio de busca ativa das equipes de apoio social ou via monitoramento do CSI.
Foto de capa: Divulgação/PMSJC
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