Um tenente-coronel da Polícia Militar foi preso na manhã desta quarta-feira (18) em São José dos Campos, no interior de um condomínio na região central da cidade, suspeito de envolvimento na morte da própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana.
A prisão ocorreu em um apartamento localizado na rua Roma, no Jardim Augusta, e foi realizada por uma operação conjunta de policiais civis e militares, que cumpriram o mandado expedido pela Justiça Militar.
De acordo com as informações apuradas, a ação foi rápida e durou menos de 30 minutos. O oficial não resistiu à prisão e foi conduzido sob escolta policial.
Caso começou como suicídio e mudou de rumo
A morte da soldado Gisele aconteceu em 18 de fevereiro, na cidade de São Paulo, e inicialmente foi tratada como suicídio.
A própria versão inicial partiu do marido, que acionou a polícia à época. No entanto, com o avanço das investigações, laudos periciais e depoimentos começaram a apontar inconsistências na narrativa.
Relatórios da perícia indicaram lesões no rosto e no pescoço da vítima, além de apontarem que o disparo foi feito à queima-roupa, sem vestígios compatíveis com um suicídio.
A partir desses elementos, o caso passou a ser tratado como feminicídio, com indícios também de fraude processual, pela tentativa de alterar a cena do crime.
Relatos indicam relação conturbada
Mensagens atribuídas à vítima e apresentadas pela família indicam um relacionamento marcado por conflitos.
Em uma das conversas, Gisele escreveu: “tem que controlar ciúmes dele”, “qualquer hora me mata” e “fica cego”, sinalizando preocupação com o comportamento do marido.
Em depoimento, a mãe da policial afirmou que a filha vivia um relacionamento abusivo, com episódios de controle e violência.
Defesa sustenta versão de suicídio
Apesar dos elementos reunidos na investigação, a defesa do tenente-coronel mantém a versão inicial.
Em manifestação anterior, o advogado do oficial afirmou: “A defesa do tenente-coronel aguarda serenamente o desenrolar da apuração da Polícia Civil com a juntada de todos os laudos e externa a confiança na palavra do coronel: de que trata-se de suicídio”.
A investigação segue em andamento e caberá à Justiça avaliar os elementos reunidos para definição do caso.
A prisão ocorreu em um condomínio com estrutura de lazer e segurança na região central de São José dos Campos, onde o oficial estava hospedado desde o início do mês, após se afastar das funções.
No local, uma mensagem fixada na porta do apartamento dizia: “visitante seja bem-vindo, mas não faça movimentos bruscos”.
Após a prisão, o tenente-coronel foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista.
Foto de capa: Divulgação
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