As operações de combate à alcoolemia na região de São José dos Campos registraram crescimento de 73,5% em 2025, em comparação com o ano anterior. O número de ações passou de 34 para 59 operações, segundo dados divulgados pelo Detran-SP. No mesmo período, a quantidade de veículos abordados subiu de 22,4 mil para 26,8 mil, um aumento próximo de 20%.
O dado chama atenção não apenas pela variação anual, mas pelo recorte histórico. Em relação a 2021, o volume de operações realizadas em 2025 é quase seis vezes maior, o que indica uma mudança clara de estratégia na política de fiscalização de trânsito no estado e, especialmente, na região do Vale do Paraíba.
Mais operações, mais recusas e um padrão que se repete
O aumento da fiscalização está diretamente ligado a um modelo de planejamento baseado em dados do Infosiga, plataforma que reúne informações sobre sinistros e mortes no trânsito. A lógica é concentrar operações em locais e horários com maior incidência de ocorrências, tanto em áreas urbanas quanto em rodovias, onde o fluxo permite abordar mais veículos em menos tempo.
Apesar do reforço das ações, os números de infrações mostram que o comportamento do motorista muda menos do que o volume de fiscalização. Somente em janeiro de 2026, foram realizadas 46 operações em todo o Estado, com 30.341 veículos fiscalizados e 771 infrações por alcoolemia. Destas, 665 foram recusas ao teste do bafômetro, um dado que segue dominante e revela uma estratégia recorrente de resistência à fiscalização, mesmo diante das penalidades previstas em lei.
Dirigir sob efeito de álcool continua sendo o segundo maior fator de mortes no trânsito, atrás apenas do excesso de velocidade. A legislação brasileira é considerada rigorosa, mas os números indicam que a percepção de risco ainda não se traduz plenamente em mudança de comportamento, especialmente entre condutores reincidentes.
Fiscalização cresce, mas desafio segue além da multa
Pela legislação atual, tanto dirigir sob efeito de álcool quanto recusar-se a realizar o teste do bafômetro são infrações gravíssimas, com multa de R$ 2.934,70 e abertura de processo de suspensão da CNH. Em caso de reincidência em 12 meses, o valor dobra. Já os casos de embriaguez comprovada configuram crime de trânsito, com condução do motorista à delegacia e possibilidade de pena de prisão.
O Detran-SP afirma que, para 2026, a política de combate à alcoolemia deve avançar no uso de inteligência de dados, integração com municípios e ações educativas mais direcionadas a perfis de risco específicos. O desafio, no entanto, vai além do planejamento técnico. A repetição elevada de recusas e autuações indica que a fiscalização, sozinha, não resolve um problema que também é cultural, educativo e estrutural.
Na prática, o aumento das operações é um passo necessário, mas não suficiente. Enquanto o álcool ao volante seguir sendo tratado por parte dos condutores como “risco calculado”, a estatística tende a crescer tanto no número de operações quanto, infelizmente, no de infrações e vítimas.
Foto de capa: Divulgação
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