Os orelhões, que por décadas fizeram parte da paisagem urbana e da rotina dos moradores, vão desaparecer das ruas de São José dos Campos. A retirada começa em 2026 e ocorre após o encerramento das concessões de telefonia fixa no Brasil, que retirou das operadoras a obrigação legal de manter os telefones públicos em funcionamento.
Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o município ainda conta com 354 orelhões instalados, o maior número entre as cidades do Vale do Paraíba. Taubaté aparece na sequência, com 258 aparelhos, seguida por Jacareí, com 156.
A remoção não acontece de forma imediata em todos os pontos. Neste primeiro momento, o foco será a retirada de carcaças e aparelhos desativados, muitos deles sem uso há anos. A permanência dos orelhões só será admitida, de forma excepcional, em localidades sem cobertura adequada de telefonia móvel, cenário que praticamente não se aplica a São José dos Campos.
O processo de extinção já vinha ocorrendo gradualmente. Em 2020, o Brasil ainda tinha cerca de 202 mil orelhões. Atualmente, restam pouco mais de 38 mil em todo o país. A popularização dos celulares e da internet móvel tornou o serviço obsoleto para a maioria da população.
Criados em 1971, os orelhões se tornaram um símbolo urbano e cultural, marcando gerações com as chamadas a cobrar e as fichas telefônicas. Em São José, muitos deles seguem espalhados por bairros centrais e regiões mais antigas da cidade, mesmo sem uso prático.
Com o fim definitivo do serviço, os recursos antes destinados à manutenção dos telefones públicos deverão ser redirecionados para investimentos em telefonia móvel e banda larga, segundo determinação da Anatel.
Foto de capa: Divulgação
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