Os moradores de São José dos Campos vão começar a ver, ainda em dezembro deste ano, a troca dos hidrômetros tradicionais pelos chamados hidrômetros inteligentes, aparelhos capazes de medir e enviar informações de consumo de água em tempo real para a Sabesp e para o próprio morador. A iniciativa faz parte de um projeto de modernização do sistema de abastecimento que vai alcançar milhões de residências em todo o estado e promete mais transparência, comodidade e controle sobre o uso da água.
A proposta é simples de entender: hoje, o consumo de água é medido uma vez por mês, quando um funcionário da Sabesp ou da empresa terceirizada passa pelo imóvel e faz a leitura do relógio de água. Isso muitas vezes gera dúvidas, porque se houver um vazamento ou um pico de consumo, o morador só vai perceber quando a conta chega, semanas depois. Com os novos equipamentos, esse controle será diferente: o consumo será transmitido automaticamente de hora em hora, todos os dias, e poderá ser consultado pelo aplicativo ou pelo site da Sabesp. Assim, se houver um gasto inesperado ou um vazamento escondido dentro de casa, o cliente será avisado rapidamente e poderá agir para evitar desperdício e aumento na conta.
O cronograma divulgado prevê que a implantação comece pela região central de São José dos Campos e de São Paulo, com substituições programadas a partir de dezembro de 2025. A expectativa é que toda a cidade joseense esteja equipada até dezembro de 2026. Já em São Paulo, por se tratar de uma metrópole muito maior, a conclusão está prevista para 2029. Quando o processo terminar, São José deve se tornar a primeira cidade do Brasil com 100% da medição de água feita de forma digital, e a capital paulista será a maior metrópole do planeta a contar com esse tipo de tecnologia.
O projeto é fruto de uma parceria entre a Sabesp e a Vivo, responsável pela tecnologia e pela conectividade. O investimento estimado é de R$ 3,8 bilhões e faz parte do que especialistas chamam de Internet das Coisas (IoT), conceito que conecta objetos do dia a dia à internet para facilitar a vida das pessoas e aumentar a eficiência dos serviços.
Segundo a Sabesp, o ganho não será apenas para os consumidores, mas também para a gestão da água na cidade. Hoje, a companhia registra em média 16,4 mil casos mensais de consumo elevado com causa aparente — geralmente provocados por vazamentos ou leituras incorretas — e outros 4,3 mil casos de aumento de consumo sem explicação clara. Com a tecnologia, a ideia é reduzir drasticamente esse tipo de ocorrência, já que o cliente terá acesso a informações detalhadas do seu consumo e poderá acionar a companhia rapidamente em caso de dúvidas.
Para o diretor-executivo de Clientes e Tecnologia da Sabesp, Dênis Maia, a mudança representa um marco no saneamento básico paulista.
“Nossos clientes terão mais segurança e praticidade no dia a dia. Estamos trazendo inovação para dentro das casas e, ao mesmo tempo, fortalecendo o consumo consciente da água”, afirmou.
Na prática, os moradores vão perceber alguns benefícios diretos: maior controle sobre a conta de água, leitura feita à distância sem a necessidade de entrada no imóvel, detecção rápida de vazamentos internos, menor risco de erro na cobrança e acesso a serviços digitais como emissão de segunda via e histórico detalhado de consumo.
Outro ponto destacado pela companhia é a questão ambiental. Ao identificar mais rápido os vazamentos e consumos anormais, será possível evitar que milhares de litros de água sejam desperdiçados todos os meses. A estimativa da Sabesp é que 20 mil clientes consigam reduzir picos de consumo mensalmente com os alertas fornecidos pelos novos hidrômetros.
A vice-presidente de B2B da Vivo, Débora Bortolasi, destacou a inovação por trás do projeto.
“Entregamos uma plataforma que combina Internet das Coisas, Inteligência Artificial e integração de sistemas, acelerando a transformação tecnológica de serviços essenciais. A Sabesp passará a contar com dados de consumo transmitidos de forma segura e contínua, o que amplia sua eficiência na gestão e contribui para reduzir perdas, melhorando o planejamento de recursos e oferecendo à população ainda mais praticidade, clareza e confiança no acompanhamento do uso da água.”
Foto de capa: Divulgação









