O físico Ricardo Galvão, atual presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e ex-diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) em São José dos Campos, afirmou que ainda não está definido se assumirá a vaga de deputado federal deixada por Guilherme Boulos (PSOL), nomeado novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República.
Embora seja o primeiro suplente da coligação PSOL/Rede, Galvão explicou que o cenário ainda depende de conversas políticas internas e da oficialização da posse de Boulos no novo cargo.
“Não está definido ainda. Realmente sou o 1º suplente. O Boulos assumindo, o cargo vem pra mim. Agora estamos conversando com a Rede Sustentabilidade. Fui eleito por ela. Isso para decidir se pegamos ou não a vaga. A Rede certamente deve ter interesse. (E eu) certamente irei, mas ainda tem dúvidas”, afirmou Galvão em entrevista.
Segundo o pesquisador, outra possibilidade considerada nos bastidores é o retorno da ministra Sonia Guajajara (PSOL) à Câmara dos Deputados, o que mudaria a configuração das vagas.
“Apareceu a possibilidade da ministra Sonia Guajajara retornar para o Congresso, e ela é do PSOL. Se ela voltar, eu não assumo”, completou.
Galvão também disse que ainda não foi contatado oficialmente nem por Boulos, nem por representantes do PSOL ou de outros canais do governo:
“Ainda não tem previsão de decisão. Ainda não fui contactado oficialmente por nenhum canal, por Boulos, pelo PSOL, nenhum canal oficial ainda.”
De São José ao CNPq
Respeitado internacionalmente, Ricardo Galvão é doutor em Física de Plasmas pelo MIT e professor aposentado da USP. Ficou conhecido nacionalmente em 2019, quando foi exonerado da direção do Inpe, em São José dos Campos, após rebater declarações do então presidente Jair Bolsonaro sobre os dados de desmatamento da Amazônia.
Desde então, tornou-se uma das vozes mais firmes em defesa da ciência brasileira. Em 2023, foi nomeado por Lula (PT) para presidir o CNPq e passou a integrar o alto escalão da política científica nacional.
Além disso, Galvão integra a Academia Brasileira de Ciências e a Academia de Ciências do Estado de São Paulo, e já foi reconhecido pela revista Nature como um dos 10 cientistas mais influentes do mundo em 2019.
Foto de capa: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados









