A região sul de São José dos Campos volta a ser foco direto das ações de combate à dengue neste sábado (21), com mais uma edição da Operação Casa Limpa, iniciativa que mobiliza equipes da Prefeitura para recolher materiais que possam servir de criadouros do mosquito Aedes aegypti. A ação acontece das 7h às 12h e atende bairros como Jardim Oriente, Cidade Morumbi, Jardim Terras do Sul e Conjunto Sol Nascente.
A orientação é objetiva: moradores devem deixar, na frente das residências, objetos que acumulam água e favorecem a proliferação do mosquito, como latas, pneus, garrafas, baldes e recipientes diversos. Não entram na coleta móveis, restos de construção ou madeiras, que seguem com destinação obrigatória nos PEVs.
Cidade acumula toneladas de resíduos e amplia ofensiva
Segundo a Prefeitura, já foram realizadas 10 edições da operação em 2026, com quase 8 toneladas de materiais recolhidos em diferentes regiões da cidade. O número ajuda a dimensionar o tamanho do problema, mas também levanta um ponto incômodo: a reincidência dos focos.
A gestão municipal afirma que utiliza dados da Avaliação de Densidade Larvária (ADL) para direcionar as ações, além de reforçar o combate com tecnologias como ovitrampas, drones, carros específicos e uso de tablets pelos agentes de endemias. Na prática, trata-se de uma operação cada vez mais estruturada — mas que ainda depende, de forma decisiva, do comportamento doméstico da população.
São José registrou ontem, dia 19, a primeira morte por dengue em 2026. Já são cerca de 700 casos confirmados e mais de mil em investigação no município. Esta foi a segunda morte pela doença no Vale do Paraíba neste ano.
Responsabilidade compartilhada ainda é o maior gargalo
O avanço da dengue não é apenas uma questão de logística pública. Ele passa, inevitavelmente, por dentro das casas. A própria Prefeitura reforça a necessidade de cuidados básicos, como evitar água parada em plantas, manter caixas d’água fechadas e permitir a entrada dos agentes nas residências.
Há, no entanto, um ponto sensível pouco discutido: a eficácia dessas operações tem limite quando não há adesão contínua dos moradores. A cada nova edição, a cidade recolhe toneladas de materiais — o que indica que o problema não é pontual, mas recorrente.
Com a chegada dos dias mais quentes e chuvosos, cenário ideal para a proliferação do mosquito, São José entra em um momento crítico. A operação deste sábado funciona como resposta, mas também como alerta.
A orientação oficial é que qualquer foco suspeito seja informado à Central 156, canal que concentra as demandas da população e ajuda a mapear áreas de risco.
Foto de capa: Divulgação
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