A Polícia Civil deteve três pessoas durante a terceira fase da operação São José Limpa, realizada na manhã desta quarta-feira (13) no Banhado, em São José dos Campos. Um dos detidos vai responder por receptação qualificada e os outros dois por crime ambiental, segundo o delegado Reinaldo Checa, do 1º Distrito Policial, responsável pela ação.
A operação no Banhado começou por volta das 9h e teve como alvo pontos de reciclagem considerados irregulares pela polícia. Participaram da força-tarefa agentes da Guarda Civil Municipal (GCM), da Polícia Militar, fiscais de postura da Prefeitura e equipes das secretarias de Manutenção da Cidade e de Proteção ao Cidadão.
De acordo com Checa, o objetivo era combater a receptação de materiais ilícitos, como cabos de energia e hidrômetros furtados. “Localizamos três focos de crimes. Um com cinco contêineres de lixo da Prefeitura, configurando crime ambiental, artigo 54. O indivíduo vai ser autuado por receptação qualificada”, afirmou o delegado. Segundo ele, a receptação qualificada não é passível de fiança e tem pena prevista de dois a sete anos.
Moradores e OAB contestam operação no Banhado
O advogado Cláudio Vilela, representante da associação de moradores do Banhado, negou que os crimes tenham sido cometidos. “A maioria aqui vive desse material reciclável como trabalho”, declarou. Segundo Vilela, parte dos materiais recolhidos pela polícia seria descartada pela própria Urbam, empresa responsável pela limpeza urbana da cidade, e reaproveitada pelos moradores para venda.
A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanhou a operação. O secretário da comissão, Rodrigo Coelho, afirmou que a entidade foi acionada para garantir que não houvesse violação de direitos durante a ação. “O direito ao trabalho é fundamental. O que está sendo visto por eles como descarte e lixo em via pública se trata de um produto de compra e venda, do ganha-pão dessas pessoas”, disse Coelho.
A Prefeitura de São José dos Campos não havia se manifestado até o fechamento desta edição. As irregularidades identificadas serão apuradas pela Polícia Civil.
Foto de capa: Reprodução para fins de ilustração/Google Maps
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