São José dos Campos anunciou nesta quinta-feira (5) a construção da nova maternidade municipal, um dos maiores investimentos em saúde pública da história recente da cidade. Com aporte total de cerca de R$ 140 milhões, sendo R$ 77 milhões destinados às obras e quase R$ 70 milhões para equipamentos, a unidade promete transformar o atendimento a gestantes, bebês e puérperas na rede pública.
Com valor de R$ 77.468.767,43, a obra terá R$ 60.000.072 aportados pelo Governo Federal, por meio do Novo PAC. Esses recursos estão garantidos pela Caixa Econômica Federal, que aprovou o projeto e assinou a autorização para o empreendimento. Os R$ 17.468.695,43 restantes serão investidos pelo Município.
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A estrutura faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, com contrapartida do município e garantia financeira da Caixa Econômica Federal. A expectativa é que a obra seja concluída em dois anos, dentro do Plano de Gestão 2025–2028.
Atendimento humanizado e integrado
A maternidade terá 150 novos leitos e deve desafogar o Hospital Municipal, que recuperará outros 90 leitos de enfermaria. Na prática, São José ganhará mais de 200 leitos adicionais até 2027.
A proposta é concentrar, em um único prédio, toda a linha de cuidado da mulher, desde o pré-natal até o pós-parto. O espaço abrigará o Ambulatório da Mulher, hoje localizado ao lado do Luci Montoro, o Projeto Casulo e serviços de apoio hoje descentralizados.
“São José talvez seja a primeira cidade do Brasil a iniciar as obras nesse novo padrão de maternidade oriundo do PAC. Esse novo complexo vai nos ajudar a desafogar muito o Hospital Municipal e ao mesmo tempo garantir mais 150 leitos. No total, estamos falando em mais de 200 novos leitos em dois anos”, afirmou George Zenha, secretário de Saúde.
Além dos serviços tradicionais, a maternidade contará com cursos para gestantes, o Projeto Acolher (com visitas guiadas), banco de leite humano (com média de 90 litros por mês) e a realização obrigatória dos testes do pezinho, olhinho, orelhinha e coraçãozinho em todos os recém-nascidos.
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Estrutura moderna e tecnologia
O projeto prevê UTIs materna e neonatal, centro obstétrico completo, áreas para pré-parto, parto e puerpério, além de quartos privativos para mães e acompanhantes.
Zenha destacou ainda que a Prefeitura avança na saúde digital, com decreto publicado recentemente para ampliar a oferta de telemedicina e teleassessoria.
“Não adianta apenas aumentar o número de exames ou consultas se não tivermos proporcionalidade para avaliações cirúrgicas e especialidades. Estamos trabalhando em linhas de cuidado e em novos credenciamentos médicos para ampliar a atenção básica e evitar encaminhamentos desnecessários”, explicou o secretário.
Reorganização do Hospital da Vila
Com a nova maternidade, o Hospital da Vila terá mais de 2 mil m² liberados, permitindo reorganização de atendimentos. O espaço será usado para ampliar a pediatria, criar novas salas cirúrgicas e reestruturar o pronto-socorro.
“A construção dessa maternidade permite reorganizar toda a rede. O Hospital da Vila ganhará mais espaço, com melhorias no pronto-socorro, na pediatria e na privacidade dos atendimentos. Estamos falando de uma estrutura histórica, que já não atende ao modelo moderno de assistência”, disse o prefeito Anderson Farias.
Ele lembrou que o novo hospital será também um marco arquitetônico. “Estamos falando de uma maternidade que será a mais moderna da região, equipada com tecnologia de ponta e pensada para acolhimento humanizado. É uma data histórica para São José”, completou.
Financiamento e cobranças
Durante a coletiva, o prefeito destacou que a saúde municipal ainda é custeada majoritariamente com recursos locais.
“Hoje, 75% de todo o custeio da saúde de São José vem do município. Apenas 21% são do governo federal, 2,5% do governo estadual e 2% retornam por meio de convênios. Com a maternidade não será diferente”, afirmou Anderson.
Zenha reforçou que a Prefeitura seguirá pressionando o governo estadual e municípios vizinhos para dividir responsabilidades. “São José é referência e acaba absorvendo pacientes de toda a região. Estivemos com o secretário estadual esta semana para cobrar repactuação dos atendimentos com o Hospital Regional. Também é preciso que as cidades vizinhas melhorem suas estruturas, porque hoje muitos pacientes viajam quilômetros para serem atendidos aqui”, disse.
Humanização e curso para gestantes
Outro destaque do projeto é o reforço em acolhimento e orientação às famílias. Segundo o prefeito, o curso para gestantes da rede será ampliado e continuará aberto para todos os casais da cidade.
“Uma das maiores angústias de quem vai ter um filho é o desconhecido. Por isso oferecemos cursos com visitas guiadas ao hospital, palestras multiprofissionais e orientações sobre gravidez, parto e pós-parto. A nova maternidade dará ainda mais conforto e privacidade para que esse atendimento humanizado aconteça de forma plena”, ressaltou Anderson Farias.
Prestação de serviço
As obras da nova maternidade têm prazo de dois anos para conclusão. O terreno de 18,6 mil m², com 10,1 mil m² de área construída, foi viabilizado a partir de negociação entre a Prefeitura e o São José Esporte Clube, em troca de áreas no Galo Branco e no Parque Floresta.
Enquanto a nova unidade não é inaugurada, o atendimento a gestantes, puérperas e bebês continua sendo feito no Hospital da Vila, que hoje realiza em média 500 partos por mês, além do acompanhamento de pré-natal nas UBSs.
Foto de capa: Divulgação









