Uma mulher vítima de violência doméstica usou um recurso incomum para pedir socorro sem que o agressor percebesse: ligou para o 190, da Polícia Militar, e simulou um pedido de pizza. O caso aconteceu na última sexta-feira (23), em um endereço no Jardim São Francisco, na Zona Sul de São Paulo. O companheiro, de 32 anos, foi detido. Com ele, os policiais encontraram um revólver com numeração raspada e cinco munições.
De acordo com a Polícia Militar, ao receber a ligação, a atendente do Centro de Operações identificou que poderia se tratar de um pedido de socorro disfarçado e seguiu com a conversa. “Oi, eu gostaria de pedir uma pizza”, disse a vítima. A atendente respondeu: “A senhora quer pizza de calabresa ou muçarela?”, prosseguiu pedindo o endereço para “entrega” e confirmou que avisaria quando o “motoboy” estivesse a caminho.
Segundo a PM, esse tipo de abordagem já é conhecido como um possível código de socorro. A atendente agiu dentro do protocolo ao manter a conversa e obter o endereço da vítima.
Viatura da PM chegou em minutos
Assim que a ligação caiu no sistema do Centro de Operações da PM, uma equipe do 37º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M), que estava nas proximidades do Jardim São Francisco, foi imediatamente acionada para o local.
Os policiais chegaram informando à vítima que “a pizza havia chegado”. A mulher deixou o imóvel e foi recebida pelos agentes, apresentando sinais de nervosismo e tremores. Ela relatou que estava sendo agredida pelo companheiro e que ele possuía uma arma de fogo.
Após ser acolhida e levada para um local seguro, os policiais voltaram suas atenções ao imóvel. O homem tentou deixar a casa, mas foi detido. Na busca ao local, a equipe encontrou um revólver com numeração raspada e cinco munições. Conforme o boletim de ocorrência, o agressor usou um espelho para agredir a vítima. Uma criança que estava na residência também foi atingida por estilhaços do objeto e encaminhada ao Hospital M’Boi Mirim para exames médicos.
O detido foi conduzido ao 47º Distrito Policial, no Capão Redondo, onde o caso foi registrado como lesão corporal, violência doméstica, ameaça, violência psicológica contra a mulher, dano, perigo para a vida ou saúde de outrem e posse ilegal de arma de fogo.
Ligue 190 em caso de emergência
Em situações de risco em que não é possível falar abertamente, a Polícia Militar orienta que a vítima ligue para o 190 e tente passar informações em código — como endereço disfarçado de dados para entrega. O atendimento funciona 24 horas por dia. Para denúncias de violência doméstica, também está disponível o Ligue 180, da Central de Atendimento à Mulher, operado pelo governo federal.
Foto de capa: Divulgação/PMESP
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