O motorista do caminhão que arrastou o carro da aposentada Maria Auxiliadora de Carvalho, de 83 anos, por cerca de 700 metros na Rodovia Presidente Dutra (BR-116), em São José dos Campos, prestou depoimento à Polícia Civil nesta segunda-feira (6) e foi liberado. A investigação sobre o caso continua. A defesa do caminhoneiro afirma que ele não fugiu do local do acidente. A Polícia Rodoviária Federal (PRF), no entanto, contesta essa versão.
O acidente aconteceu na manhã de quarta-feira (1º), por volta das 11h, no km 145 da Via Dutra, sentido São Paulo, na região da Vila Industrial, Zona Leste de São José dos Campos. O caso repercutiu após imagens do carro preso à lateral da carreta sendo arrastado pela rodovia viralizarem nas redes sociais. A idosa saiu ilesa.
Em entrevista à TV Vanguarda, o advogado do caminhoneiro, Antônio Franc, afirmou que o motorista comunicou a um funcionário da concessionária que seguiria até um local seguro para estacionar a carreta, pois o trecho da Via Dutra estava em obras e uma parada imediata poderia bloquear a pista.
Segundo a defesa, o caminhoneiro percebeu que a idosa havia saído do veículo, aparentemente sem ferimentos, e que ela falava ao celular e fotografava o caminhão. Diante disso, o motorista teria seguido até um posto de combustíveis, onde aguardou cerca de duas horas para registrar a ocorrência. O advogado também sustentou que, por questões de segurança, o motorista não poderia abrir a porta da carreta naquele trecho da rodovia.
O que diz a PRF
A versão da defesa é contestada pela PRF. O inspetor Cleverson Calzado afirmou que os registros analisados pela corporação não são compatíveis com a narrativa apresentada pelo advogado.
Segundo o inspetor, os dados mostram que o caminhão reduziu a velocidade e fez uma breve parada logo após o acidente, mas voltou a seguir viagem em seguida. O veículo passou em frente ao posto da PRF sem parar e ficou estacionado por cerca de 40 minutos em outro ponto da Via Dutra, mais à frente da unidade policial. O inspetor também informou que o telefone de emergência 191 — utilizado para atendimento de ocorrências na rodovia — não foi acionado pelo motorista. Segundo a PRF, o procedimento esperado seria que o caminhoneiro parasse no posto da corporação ou ligasse para o serviço para comunicar o acidente.
A PRF informou ainda que entregou à Polícia Civil os registros do tacógrafo do caminhão — equipamento que registra dados como velocidade, distância percorrida, tempo de direção e períodos de parada — que serão analisados durante a investigação.
Investigação do caso do caminhão que arrastou carro está em andamento
A Polícia Civil informou que as investigações continuam. Além da análise do tacógrafo, outros elementos técnicos serão utilizados para esclarecer a dinâmica do acidente e verificar a versão apresentada pelo motorista. O caminhoneiro foi ouvido e liberado nesta segunda-feira (6).
Relembre: na manhã de quarta-feira (1º), Maria Auxiliadora seguia pela Via Dutra quando precisou mudar de faixa por causa de um estreitamento sinalizado com cones e foi atingida pelo caminhão. “Teve um estreitamento com cones, eu dei seta pra esquerda e o caminhão alegou que não me enxergou”, relatou a aposentada. Ela saiu ilesa e fotografou a placa da carreta para ajudar na identificação do motorista.
Foto de capa: Divulgação/PRF
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