A travessia entre Santos e Guarujá, historicamente feita por balsa ou por rodovia em tempos que variam de 18 a 60 minutos, será transformada por um túnel submerso de 1,5 km de extensão. A obra, discutida há quase um século, teve o leilão vencido nesta sexta-feira (5) pela construtora portuguesa Mota-Engil, em cerimônia realizada na sede da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.
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A nova ligação será a primeira do tipo no Brasil e tem previsão de conclusão até 2030. A expectativa é de que, uma vez pronta, a estrutura permita a travessia em aproximadamente cinco minutos, com impacto direto na mobilidade urbana e logística de toda a Baixada Santista.
O túnel entre Santos e Guarujá é um sonho antigo. Em 1927, a proposta já ganhava manchetes do jornal A Tribuna, mencionando ideias do engenheiro Enéas Marini — o mesmo que pensava uma ligação submersa entre Rio e Niterói. De lá pra cá, foram inúmeras promessas e esboços que nunca saíram do papel.
Agora, quase 100 anos depois, a obra finalmente começa a se materializar. A Mota-Engil venceu a disputa oferecendo um desconto de 0,5% sobre a contraprestação pública e terá um contrato de 30 anos para construir, operar e manter o túnel.
Estrutura moderna e inédita no Brasil
A obra terá 1,5 km de extensão, sendo 870 metros imersos sob o canal portuário que separa os dois municípios. A técnica adotada prevê a instalação de módulos de concreto pré-moldados no fundo do canal — um método já consolidado na Europa e na Ásia, mas nunca antes utilizado no país.
O túnel contará com três faixas por sentido, sendo uma dedicada ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além de ciclovia, passarela de pedestres e uma galeria de serviços. A concepção multimodal faz do projeto uma solução integrada para diferentes perfis de mobilidade urbana.
Investimento de R$ 6,8 bilhões em regime de PPP
O contrato foi estruturado no modelo de Parceria Público-Privada (PPP). Segundo o edital, o investimento total é estimado em R$ 6,8 bilhões, sendo até R$ 5,1 bilhões oriundos de recursos públicos — divididos igualmente entre o Governo de São Paulo e o Governo Federal — e o restante de responsabilidade da concessionária.
A obra será iniciada após a conclusão do licenciamento ambiental e a apresentação dos projetos executivos detalhados pela empresa vencedora. O prazo de concessão é de 30 anos, incluindo os períodos de construção e operação.
Desapropriações e impacto social
De acordo com estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), a obra deverá impactar diretamente mais de 800 imóveis. Em Santos, estima-se a desapropriação de 59 edificações. No Guarujá, o número chega a 717, sendo a maioria ocupações irregulares localizadas no distrito de Vicente de Carvalho.
Segundo o edital, todas as famílias afetadas serão removidas e reassentadas por meio de programas de habitação popular. A concessionária também será obrigada a apresentar planos de mitigação e compensação ambiental, além de estratégias de comunicação com a população local.
Atualmente, a travessia entre as duas cidades é feita de duas formas principais: por balsas e catraias, que transportam veículos leves, pedestres e ciclistas, ou por rodovia — uma volta de 43 km pela Cônego Domênico Rangoni, que pode levar até uma hora. Só o sistema de balsas transporta diariamente mais de 21 mil veículos, além de milhares de pedestres e ciclistas, com operação 24 horas por dia e frequentes interferências do clima e do tráfego portuário.
Com o túnel, o trajeto poderá ser feito em cerca de cinco minutos, com mais conforto, previsibilidade e segurança. O subsecretário de Logística e Transportes do Estado, Denis Gerage Amorim, afirmou que a nova ligação será um marco na mobilidade da Baixada Santista, sem extinguir o sistema de balsas, que continuará operando como alternativa complementar.
Segundo o governo estadual, a obra deve gerar cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos ao longo do processo de execução. O vice-presidente da Mota-Engil, Manuel António da Mota, declarou que a empresa está comprometida em cumprir os prazos e entregar a obra “o mais rápido possível”.
Como será o túnel Santos–Guarujá
- Extensão total: 1,5 km
- Trecho imerso: 870 metros
- Técnica: módulos de concreto pré-moldados submersos
- Modalidade: Parceria Público-Privada (PPP)
- Investimento total: R$ 6,8 bilhões
- Aporte público: até R$ 5,1 bilhões (Estado e União)
- Faixas: 3 por sentido (1 para VLT)
- Outras estruturas: ciclovia, passarela de pedestres, galeria técnica
- Previsão de entrega: até 2030
- Tempo de travessia estimado: cerca de 5 minutos
Foto de capa: Divulgação









