O Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence, em São José dos Campos, realizou, na noite de domingo (5), a quarta doação de órgãos registrada pela unidade em 2026. Após a confirmação da morte encefálica de uma paciente de 47 anos e a autorização concedida pela família, foram captados o fígado, os rins e as córneas, possibilitando que cinco pessoas fossem beneficiadas por transplantes.
A captação foi conduzida pela equipe da Organização de Procura de Órgãos (OPO), em conjunto com profissionais do hospital. Todo o procedimento seguiu os protocolos estabelecidos pelo Sistema Nacional de Transplantes, que determina critérios técnicos, legais e éticos para a destinação dos órgãos.
Antes do início da cirurgia, familiares, amigos e colaboradores do hospital participaram de um momento de despedida que emocionou quem acompanhava o procedimento. Em um corredor formado por profissionais da unidade, a paciente recebeu aplausos durante o trajeto entre a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e o centro cirúrgico. Segundo o hospital, a homenagem representou um gesto de respeito à decisão da família e ao desejo manifestado pela doadora, ainda em vida, de ajudar outras pessoas.
Hospital já contabiliza 25 órgãos e tecidos captados em 2026
Com a nova captação, o Hospital Municipal soma, desde janeiro, quatro doações efetivas e um total de 25 órgãos e tecidos destinados a transplantes. De acordo com o balanço divulgado pela unidade, foram captados três corações, dois pulmões, quatro fígados, oito rins e oito córneas ao longo do ano.
No mesmo período, o hospital registrou 15 notificações de morte encefálica. Dessas, seis casos não apresentavam condições clínicas para doação, cinco resultaram em captações efetivas e, entre os pacientes considerados aptos, houve três recusas familiares.
Segundo a instituição, a taxa de autorização das famílias gira em torno de 53%, índice considerado compatível com a média nacional.
Processo de doação de órgãos segue critérios rigorosos e mantém anonimato de doadores
A legislação brasileira determina que tanto a identidade do doador quanto a dos pacientes transplantados permaneçam em sigilo. A medida busca preservar a privacidade das famílias, evitar pressões emocionais e garantir que a distribuição dos órgãos ocorra exclusivamente com base em critérios médicos.
Quando a morte encefálica é confirmada e a família autoriza a doação, o hospital comunica imediatamente a Organização de Procura de Órgãos, responsável por coordenar todo o processo em conjunto com a Central de Transplantes.
No Vale do Paraíba, a OPO responsável pela região é vinculada à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que atua na articulação entre os hospitais e o Sistema Nacional de Transplantes.
Conversa com a família continua sendo fundamental
A doação de órgãos somente pode ocorrer com a autorização dos familiares. Por isso, manifestar esse desejo ainda em vida e conversar sobre o assunto com pessoas próximas continua sendo uma das principais formas de ampliar o número de transplantes no país.
Referência regional na captação de órgãos, o Hospital Municipal de São José dos Campos destaca que ações de conscientização são essenciais para reduzir as filas de espera e aumentar as chances de pacientes que dependem de um transplante para continuar vivendo.
Foto de capa: Divulgação
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