A chegada da Heladeria Havanna a São José dos Campos, marcada para esta quarta-feira (25), no CenterVale Shopping, não é apenas mais uma inauguração no calendário comercial da cidade. É, na prática, mais um movimento que reforça uma tendência clara, o avanço de marcas com posicionamento premium em um mercado local que, nos últimos anos, vem se mostrando cada vez mais disposto a consumir experiência, e não apenas produto.
A unidade será comandada por um trio familiar, a arquiteta Kátia Oliveira e seus filhos, a advogada Gabriela de Oliveira Almeida Sampaio e o empresário João Gabriel de Oliveira Almeida, que estreiam no setor de franquias com a operação.
Segundo Gabriela, a decisão pelo investimento passa menos por paixão gastronômica e mais por estratégia de marca. “Pensamos na franquia pela segurança, é um nome forte, e a heladeria uma novidade no Brasil. Além disso, em 2025 provei e gostei dos helados, que são maravilhosos”, afirma. “Vamos aguardar os resultados do primeiro ano da operação, mas já temos em mente uma segunda unidade. Sabemos que é um investimento a longo prazo”, completa.
Consumo premium cresce, mas ainda é recorte
O cardápio chega com 14 sabores artesanais e preços que começam em R$ 17,90 e chegam a R$ 34,95. Não é exatamente um produto popular, e nem pretende ser. A proposta está claramente posicionada em um público que já frequenta o CenterVale, majoritariamente classes A e B.
O próprio shopping, que registra cerca de 400 mil visitantes mensais e movimenta aproximadamente R$ 600 milhões por ano, virou, ao longo do tempo, uma espécie de vitrine desse tipo de consumo na cidade.
A gerente de marketing do empreendimento, Fernanda Studart, reforça essa linha ao afirmar: “Receber a Helateria Havanna é motivo de grande satisfação para o CenterVale. Somos reconhecidos por reunir marcas premium e por trazer novidades e boas experiências para os nossos clientes”.
O movimento faz sentido dentro do contexto do varejo local. São José dos Campos tem renda média acima da média nacional e um perfil consumidor mais sofisticado, mas ainda convive com um contraste evidente entre regiões e hábitos de consumo. O sucesso da operação, portanto, não depende apenas da marca, mas da frequência e da recorrência desse público específico.
Expansão acelerada e teste real de mercado
A Havanna já soma cerca de 80 unidades no Brasil e projeta chegar a 120 até 2027, num plano de expansão que aposta justamente em cidades com perfil econômico semelhante ao de São José.
Adriana Villela, sócia-fundadora da marca no país, afirma: “Nossa expansão no Sudeste segue acelerada. A região do Vale do Paraíba terá a oportunidade de conferir nossa experiência de helados premium. Acreditamos que será um sucesso”.
A fala é otimista, como se espera de quem está expandindo. Mas, no campo real, o desempenho dessas operações costuma depender menos da novidade e mais da capacidade de se manter relevante após o efeito inauguração passar — um desafio comum no varejo gastronômico, inclusive em São José.
A nova unidade, portanto, chega embalada por marca forte, operação familiar e localização estratégica.
Foto de capa: Divulgação
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