A sessão desta quinta-feira (11) na Câmara Municipal de São José dos Campos teve pouco de rotina e muito de bastidor. Foram aprovados oito projetos, a maioria de menor impacto, mas o clima pesado girou em torno do tema que não estava na pauta: o pacotão do IPTU.
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Com dois recessos atípicos para reorganização de pauta, vereadores da oposição chegaram a levantar a hipótese de que o Executivo tentaria “enfiar” a revisão da Planta Genérica de Valores de última hora. A vereadora Amélia Naomi (PT) bradou em alto e bom som que o texto não seria votado “porque a imprensa estava lá”. Já o vereador Lino Bispo (PL) afirmou a veículos locais que o adiamento foi até um pedido da base governista para ganhar tempo e analisar melhor o projeto.
A fala mais incisiva, no entanto, veio de onde menos se esperava: da Prefeitura. O subsecretário de Governança, James Domingos, que acompanhava a sessão no plenário, disse em conversa exclusiva com o Diário de São José:
“A Prefeitura não vai esconder da população quando for votar a proposta da revisão da Planta Genérica. Quando for para ser votado, vai ser pautado às claras, para todos saberem.”
O que foi aprovado hoje
Enquanto o fantasma do IPTU rondava o plenário, os vereadores aprovaram três projetos de interesse direto da população: o programa de descarte sustentável de resíduos de motorhomes (Rogério da ACASEM), a instalação de vaporizadores de água em áreas de caminhada e praças (Sidney Campos) e a autorização para atividades esportivas e de lazer em escolas públicas durante as férias (Marcão da Academia).
Os demais projetos foram de natureza nominativa ou honorífica, como a concessão da Medalha do Mérito Educacional “Professor Everardo Miranda Passos” ao Instituto São José — que completa 100 anos em 2026 — e os títulos de Cidadão Joseense concedidos ao pastor José Benedito Moreira Neto, ao deputado estadual Delegado Olim e ao executivo de TV José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni.
Próximos capítulos
Com o prazo para votação se esgotando, o clima é de expectativa para a próxima semana. Se não for incluído já na sessão do dia 18, o texto deve ser apreciado no dia 25, no limite legal. Nos corredores, a previsão é de galerias cheias e barulho: sindicatos, PSTU e movimentos sociais prometem presença, assim como apoiadores de direita ligados ao PL e ao NOVO.
O que está em jogo é a atualização da Planta Genérica, que deve aumentar a arrecadação do IPTU de R$ 314 milhões em 2024 para R$ 355 milhões em 2026, com redutores para conter os aumentos mais bruscos e ampliação de isenções, que devem beneficiar 14 mil famílias.
Até lá, São José dos Campos assiste a um jogo de xadrez em câmera lenta. E agora com uma promessa pública da Prefeitura: quando o pacotão do IPTU for à votação, será às claras, sem manobras e sob os olhos da população.
Foto de capa: Divulgação/PMSJC









