No Brasil, apenas 28% dos pais têm algum tipo de investimento voltado para o futuro dos filhos, segundo dados da Serasa. A mesma pesquisa mostra que 39% das famílias oferecem mesada às crianças, sendo que quase metade destina menos de R$ 60 por mês. O número revela um grande potencial de conscientização financeira entre os pais e o Dia das Crianças surge como um momento simbólico para repensar hábitos e começar a investir com propósito, transformando a relação das próximas gerações com o dinheiro.
Para André Bobek, especialista em planejamento financeiro e fundador da Mhydas Planejamento Financeiro, criar o hábito de investir cedo é um gesto de cuidado e visão de longo prazo. “Investir para os filhos não é apenas guardar dinheiro, é construir segurança, autonomia e autoestima desde cedo”, afirma.
Segundo o especialista, há três caminhos principais para os pais que desejam começar a investir com foco no futuro dos pequenos. O primeiro são os planos de previdência privada ou de longo prazo, ideais para objetivos como faculdade, intercâmbio ou independência financeira. “Com aportes regulares, o tempo se torna um grande aliado, permitindo que o capital cresça com os juros compostos”, explica Bobek. Outro caminho é a renda fixa, por meio de CDBs, Tesouro Direto ou fundos DI, que oferecem segurança e liquidez. Já para famílias com maior tolerância ao risco e um horizonte mais distante, fundos multimercados ou de ações podem ser boas opções para potencializar os ganhos.
O perfil das famílias que investem, segundo Bobek, está diretamente relacionado àquelas que cultivam uma cultura financeira ativa dentro de casa. São pais que mantêm certa estabilidade de renda, têm o hábito de planejar gastos e enxergam o dinheiro como ferramenta de realização, não apenas de consumo. “Pais que conversam sobre dinheiro, envolvem os filhos nas pequenas decisões e demonstram hábitos conscientes, como poupar e comparar preços, tendem a formar crianças mais preparadas para lidar com finanças no futuro. O comportamento financeiro é aprendido muito mais pelo exemplo do que pelo discurso”, ressalta o especialista.
Uma das formas mais simples e eficazes de iniciar a educação financeira das crianças é por meio da mesada, que o especialista considera uma ferramenta valiosa de aprendizado. Segundo pesquisa da Serasa, 33% dos pais utilizam a mesada para que os filhos paguem o lanche na escola, enquanto 32% enxergam nela uma oportunidade de ensinar a economizar e poupar para o futuro. Para Bobek, o dinheiro recebido regularmente deve vir acompanhado de diálogo e propósito. “Mais do que dar dinheiro, é ensinar responsabilidade e planejamento. Quando a criança aprende a dividir a mesada entre gastar, poupar e investir, começa a entender o valor das escolhas e das consequências de cada decisão”, afirma. Essa prática, segundo ele, estimula o pensamento crítico, a disciplina e a visão de longo prazo, habilidades essenciais para formar adultos financeiramente conscientes e seguros.
Para Bobek, o Dia das Crianças pode e deve ir além dos presentes. “Presentear é um gesto de afeto, mas investir no futuro é um gesto de amor. Ensinar os filhos a cuidar do dinheiro é dar a eles liberdade e segurança para realizar seus sonhos”, conclui.
Foto de capa: Divulgação









