A safra 2026 dos azeites Mantikir, produzidos pela Vinícola Essenza em Maria da Fé (MG), chega ao mercado nacional em maio com projeção de até 6 mil litros, o dobro do volume registrado no ciclo anterior. A produção, realizada no olival considerado o mais alto do mundo, entre 1.700 e 1.910 metros de altitude na Serra da Mantiqueira, traz quatro rótulos ao portfólio: o blend Summit Premium e os monovarietais Coratina, Grappolo e Arbequina.
O lançamento comercial coincide com uma sequência de resultados em concursos internacionais que posicionaram a marca entre as mais premiadas do país. A principal conquista aconteceu na premiação da Escuela Superior del Aceite de Oliva (ESAO), na Espanha, onde o Mantikir Summit Premium foi eleito melhor azeite do mundo e melhor do Brasil, feito inédito para um produtor brasileiro no ranking do guia espanhol.
Premiações abrem a temporada internacional
Antes da ESAO, o azeite Mantikir já havia estreado a temporada no Cinve Group, com duas medalhas de ouro para os rótulos Summit Premium e Coratina. A Vinícola Essenza foi a única representante da região Sudeste entre os premiados da edição.
No Evooleum Awards 2026, considerado o maior guia espanhol de azeites do mundo, dois rótulos da Essenza figuraram entre os 100 melhores. O Summit Premium recebeu o título de “Best of Brazil” e alcançou o 11º lugar no Top 100 da categoria de produção em larga escala, com 93 pontos e acidez de 0,12%. O monovarietal Grappolo Epamig estreou no Top 20 da categoria de produção limitada até 2.500 litros, com 92 pontos e acidez de 0,07%.
“Abrir a safra com dois rótulos premiados em um concurso internacional como o CINVE insere o produto no mercado já validado sob critérios técnicos reconhecidos, o que amplia a leitura sobre consistência de qualidade e precisão no processo produtivo”, afirmou Herbert Sales, proprietário da Vinícola Essenza e produtor dos azeites Mantikir.
Colheita manual e clima definem o perfil da safra
A colheita comercial da safra 2026 teve início em março, após um ciclo de aproximadamente 50 dias de trabalho manual na Fazenda Tuiuva. O olival reúne 3.500 oliveiras em produção dentro de um total de 6 mil plantas distribuídas em cerca de 51 hectares, com idade média de cinco anos. As variedades cultivadas incluem Arbequina, Coratina, Grappolo, Koroneiki, Picual e Maria da Fé, com Frantoio e Oleana previstas para entrada em produção em 2027.
Segundo Sales, o verão mais frio e chuvoso na região retardou o desenvolvimento da fruta neste ciclo, o que exigiu leitura contínua do ambiente para definição do ponto de colheita.
“O terroir aqui impõe uma leitura contínua do ambiente, porque pequenas variações de temperatura, insolação e umidade alteram tanto a concentração de óleo quanto o perfil sensorial do azeite. A decisão de colheita não segue um calendário fixo, ela depende do comportamento da fruta em diferentes áreas do olival e define simultaneamente rendimento, estabilidade e características aromáticas do produto”, explicou.
Para viabilizar a participação nos primeiros concursos internacionais do ano, a vinícola antecipou parte da colheita ainda em janeiro, com volume reduzido destinado exclusivamente às avaliações. “Existe uma diferença clara entre o azeite produzido para envio aos concursos e aquele destinado ao mercado, tanto no ponto de colheita quanto no perfil sensorial. Antecipar essa produção permite atender as exigências dos concursos sem comprometer o restante da safra, que segue outro ritmo de maturação e resulta em azeites mais completos do ponto de vista estrutural”, esclareceu o produtor.
A extração ocorre no lagar de Quelemém (MG), com processamento em baixa escala, na ordem de 100 quilos por hora, método que, segundo a vinícola, permite maior controle sobre as etapas de batimento e separação e contribui para a preservação de compostos voláteis e antioxidantes naturais.
Produção dobra com avanço das plantas
Na safra 2025, a Vinícola Essenza produziu cerca de 3 mil litros de azeite premium. Para 2026, a projeção de até 6 mil litros reflete o avanço fisiológico das oliveiras e o refinamento no manejo do olival.
“O ganho de volume acompanha a entrada das plantas em um estágio mais produtivo e a capacidade de ajustar o manejo ao comportamento do ambiente. A produção de azeite depende de decisões tomadas ao longo de todo o ciclo, e o refinamento técnico permite reduzir variações e melhorar a previsibilidade da safra”, disse Sales.
O rendimento entre azeitona colhida e azeite extraído varia conforme o estágio de maturação. Nos primeiros dias de colheita, quando a fruta apresenta menor concentração de óleo na polpa, o índice fica entre 10% e 12%, o que significa de 10 a 12 litros de azeite a cada 100 quilos processados. Na fase final do ciclo, com maior concentração lipídica, o rendimento pode chegar a 14% ou 15%.
Foto de capa: Divulgação/Azeite Mantikir
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