A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira, 29 de julho, o registro de cinco novos medicamentos injetáveis à base de semaglutida para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2. As resoluções foram publicadas no Diário Oficial da União. Os produtos aprovados são Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema, de cinco fabricantes distintos.
Os novos injetáveis têm como princípio ativo a semaglutida obtida por via sintética — enquanto o Ozempic, referência do mercado, é produzido por síntese biológica. Todos foram registrados por comparação com o Ozempic e são indicados como complemento à dieta e aos exercícios físicos para pacientes que não conseguem controlar a doença com tratamentos convencionais, especialmente quando o uso de metformina é contraindicado ou não tolerado pelo paciente.
A semaglutida é um análogo do hormônio GLP-1, que estimula a produção de insulina e atua no controle da saciedade. Esse segundo efeito transformou esses medicamentos em alvo de grande procura também para controle de peso — o que popularizou o nome “canetas emagrecedoras”. A indicação aprovada pela Anvisa, porém, é para diabetes tipo 2.
Mais concorrência, mas não necessariamente preços menores de imediato
A aprovação autoriza a comercialização dos produtos, mas não determina quando chegarão ao mercado nem quais serão seus preços. Os novos medicamentos também não são classificados como genéricos tradicionais: a semaglutida é considerada uma molécula complexa, com caminho regulatório próprio que inclui análises de qualidade, segurança, eficácia, imunogenicidade e controle de impurezas.
As aprovações desta quarta-feira chegam meses após a Anvisa ter concedido registro ao Ozivy, da EMS, primeiro concorrente nacional autorizado após o fim da patente da Novo Nordisk — detentora do Ozempic — no Brasil, em março deste ano. Ao menos 17 pedidos de registro de medicamentos com semaglutida estavam em análise na agência.
A aceleração das aprovações faz parte de um plano de ação com 125 iniciativas adotado pela Anvisa para reduzir o tempo de análise de registros, iniciado em agosto de 2025 a pedido do Ministério da Saúde, visando ao abastecimento do mercado nacional e ao benefício do Sistema Único de Saúde (SUS).
A expectativa do setor é que a ampliação da concorrência contribua para reduzir preços gradualmente nos próximos anos e ampliar o acesso ao tratamento — mas especialistas ressaltam que é cedo para afirmar qual será o impacto efetivo.
A Anvisa reforça ainda que não comercializa medicamentos e alerta para golpes em que sites e anúncios simulam vendas em nome da agência reguladora. Denúncias podem ser feitas pela plataforma Fala.BR.
Retatrutida ainda sem aprovação
A agência aproveitou a divulgação para reiterar que o medicamento experimental Retatrutida, da farmacêutica Eli Lilly, não está aprovado para uso em nenhum lugar do mundo e sequer teve pedido de registro protocolado no Brasil ou em qualquer agência reguladora internacional. O produto segue em fase de estudos clínicos. Apesar disso, tem sido comercializado ilegalmente pela internet e apreendido nas fronteiras brasileiras como contrabando.
Foto de capa: Divulgação
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