As mortes no trânsito nas vias urbanas de São José dos Campos mais que dobraram em setembro. Foram oito óbitos no mês, contra três em agosto e três em setembro do ano anterior — alta de 166,7% nas duas comparações, segundo o Infosiga, o Sistema de Informações Gerenciais de Sinistros de Trânsito do Governo de São Paulo, operado pelo Detran-SP.
Considerando todos os tipos de via do município, incluindo as rodovias, setembro teve nove mortes, contra cinco no mesmo mês do ano anterior, alta de 80%.
Seis das nove mortes de setembro foram de motociclistas. No mesmo mês do ano passado, tinham sido duas.
No ano, o número ainda cai
O mês ruim não reverteu o saldo do período. De janeiro a setembro, o Infosiga registra 36 mortes nas vias urbanas de São José dos Campos, contra 41 no mesmo intervalo do ano anterior — queda de 12,2%.
No recorte de todos os tipos de via, foram 58 mortes no ano contra 61 no ano anterior, redução de 4,9%. A diferença entre os dois recortes mostra o peso das rodovias que cortam o município: 22 das 58 mortes aconteceram fora das vias urbanas.
A janela de 12 meses também é de queda. Entre outubro de 2025 e setembro de 2026, as vias urbanas registraram 44 mortes, contra 53 nos 12 meses anteriores — redução de 17%.
Já o terceiro trimestre, de julho a setembro, teve 12 mortes nas vias urbanas, contra 17 no mesmo trimestre do ano anterior, queda de 29,4%.
O semestre mostra o movimento contrário
Há, porém, um indicador em sentido oposto. Nos seis meses de abril a setembro de 2026, foram 26 mortes nas vias urbanas, contra 18 no semestre imediatamente anterior, de outubro de 2025 a março de 2026 — alta de 44,4%.
Na comparação com o mesmo semestre do ano passado, o número ficou igual: 26 mortes nos dois períodos.
O ano fechado de 2025 também tinha registrado piora sobre 2024: foram 49 mortes nas vias urbanas, contra 47, alta de 4,3%.
Motociclistas são a maioria das mortes no trânsito
O dado que mais destoa da queda geral é o dos motociclistas. No acumulado de janeiro a setembro, as mortes de motociclistas subiram 13,8% no recorte de todas as vias, de 29 para 33. Nas vias urbanas, a alta foi de 8,7%, de 23 para 25.
Com isso, os motociclistas respondem por 33 das 58 mortes no trânsito do município no ano, mais da metade do total. Nas vias urbanas, a proporção chega a 25 de 36.
As mortes de ciclistas passaram de duas para três no recorte geral, alta de 50%. Nas vias urbanas, não houve morte de ciclista no período, contra uma no ano anterior.
Houve queda entre pedestres e ocupantes de automóveis. As mortes de pedestres caíram de dez para nove no total do município e de sete para quatro nas vias urbanas. Entre ocupantes de automóveis, a redução foi de 16 para 12 no total e de oito para seis nas vias urbanas.
Um sinistro a cada oito horas e prejuízo de R$ 248,7 milhões
Os indicadores gerais do Infosiga para as vias urbanas, no período de outubro de 2025 a setembro de 2026, dimensionam o problema: foram 1.045 sinistros de trânsito e 44 mortes.
A taxa é de 6,07 óbitos por 100 mil habitantes e de 1,07 óbito por 10 mil veículos. O percentual de fatalidade — a parcela dos sinistros que resulta em morte — é de 4,02%.
O custo estimado desses sinistros para o período é de R$ 248,7 milhões, segundo o painel. O município tem 725.209 habitantes e uma frota de 412.636 veículos, conforme as referências usadas pelo próprio Infosiga.
O que diz a Prefeitura
Segundo a Prefeitura, a Secretaria de Mobilidade Urbana mantém ações de engenharia viária, fiscalização e educação para prevenir sinistros, entre elas o reforço da sinalização horizontal e vertical, a implantação de travessias elevadas e de dispositivos de redução de velocidade, ajustes nos tempos semafóricos e o monitoramento de pontos que demandam intervenção.
Na área de educação, o programa EducaMob alcançou mais de 230 mil pessoas no ano, com atividades em escolas, palestras, blitze educativas e abordagens a pedestres, ciclistas, motociclistas e condutores de equipamentos autopropelidos, conforme a Prefeitura.
Foto de capa: Divulgação
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