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Eleições 2026: Candidato do Novo, Bispo Léo Assis propõe alíquota única de 17% e privatização sem exceção

Bispo Léo Assis, candidato a deputado federal pelo Novo, fala de saúde, impostos e segurança em entrevista ao Diário de São José

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Candidato do Partido Novo, Bispo Léo Assis propõe alíquota única de 17% e privatização sem exceção

Candidato a deputado federal pelo Partido Novo, o bispo Léo Assis defende a criação de um hospital escola no Vale do Paraíba como principal bandeira de campanha. Em entrevista ao Diário de São José, ele afirmou que a região depende de São Paulo e de Campinas para tratar casos de alta complexidade e que um hospital universitário resolveria dois problemas ao mesmo tempo: formar médicos na região e ampliar o atendimento local.

Morador de São José dos Campos há pouco mais de três anos e meio, Léo Assis explicou que a decisão de disputar o cargo partiu de uma definição interna de sua jurisdição religiosa. Segundo ele, a estrutura é pequena em comparação com outras igrejas e o clero decidiu, em reunião, que precisava de um representante no Congresso. Ele observou que algumas igrejas exigem que o clérigo se afaste temporariamente de suas funções para disputar eleições, o que não é o caso da sua.

Saúde e o hospital escola no Vale do Paraíba

A carência de atendimento de alta complexidade é o ponto de partida do candidato. Ele afirma que a região não tem referência efetiva para casos oncológicos e que pacientes cardíacos precisam se deslocar para São Paulo ou Campinas.

A região metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte reúne 39 municípios. Estimativas do IBGE para 2025 apontam que a população da região do Vale do Paraíba ultrapassou 3 milhões de habitantes.

Para o candidato, a solução passa por concentrar formação e atendimento no próprio Vale. A proposta é um hospital escola vinculado a uma universidade pública, que permitiria a estudantes de medicina da região se formarem sem sair para São Paulo ou para universidades particulares, e ao mesmo tempo ampliaria a oferta de procedimentos complexos à população.

Léo Assis fez questão de delimitar o que entende como função do cargo que disputa.

“A missão de um deputado federal é legislar e cobrar”, afirmou, acrescentando que o parlamentar deve fiscalizar a aplicação dos recursos vindos de Brasília, e não apenas direcionar emendas.

Segurança: endurecimento de penas e sistema prisional

Ao tratar do crime organizado, o candidato resumiu sua posição em duas palavras: prevenção e endurecimento.

Ele defende a revisão do Código Penal e a redução da maioridade penal nos casos de crimes hediondos, citando estupro e latrocínio. Disse ser também estudante de Direito.

A proposta avançou uma etapa neste ano. Em junho, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou, por 44 votos a 18, a admissibilidade da PEC 32/2015 e de propostas correlatas, que reduzem a maioridade penal de 18 para 16 anos. A análise da CCJ é apenas o primeiro passo: o texto ainda precisa passar por comissão especial e por dois turnos no Plenário, e depois pelo Senado. Em 2015, a Câmara já havia aprovado proposta semelhante, a PEC 171/1993, que não foi concluída pelo Senado.

O candidato delimitou os próprios limites ao tratar do tema.

“Eu não quero que a polícia tenha ordem para matar”, disse, acrescentando que também não aceita que policiais militares saiam de casa para morrer.

A crítica mais dura recaiu sobre o sistema prisional, que ele considera incapaz de recuperar detentos. Defende a ampliação do trabalho de presos como contrapartida.

“Cadeia não pode ser colônia de férias”, resumiu.

Ele também se declarou favorável à castração química para condenados por estupro, crime que classifica como irrecuperável. E afirmou existirem partidos e órgãos de classe que priorizam a defesa de criminosos em detrimento das vítimas, sem citar nomes.

Carga tributária e contas públicas

Na economia, Léo Assis se define de forma direta.

“Eu sou um liberal na economia, conservador nos costumes”, afirmou.

Sua proposta central é a criação de uma alíquota única de no máximo 17% sobre qualquer produto ou serviço produzido no Brasil ou trazido ao país para venda, por meio de projeto de lei ou de proposta de emenda à Constituição. Ele argumenta que a tributação em cascata encarece produtos básicos, citando o exemplo do leite, tributado em cada etapa da cadeia até chegar ao consumidor.

O Brasil já iniciou uma transição nessa direção. A reforma tributária sobre o consumo, regulamentada pela Lei Complementar 214/2025, substitui PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS por dois tributos — a CBS, federal, e o IBS, estadual e municipal — em um modelo de IVA dual. As estimativas do Ministério da Fazenda apontam alíquota de referência combinada entre 26,5% e 28%. O ano de 2026 é a fase de teste, com alíquotas de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS destacadas nas notas fiscais, sem cobrança adicional. A substituição completa está prevista para se concluir em 2033.

O candidato citou o Paraguai, com IVA de 10%, como exemplo a ser seguido. Também mencionou os Estados Unidos, atribuindo ao país um imposto sobre valor agregado único de 7%. Os Estados Unidos não possuem IVA federal; a tributação sobre consumo é feita por impostos estaduais e locais sobre vendas, com alíquotas variáveis.

Ao falar da situação fiscal, Léo Assis afirmou que 86% do PIB brasileiro estariam comprometidos com o pagamento de dívida e juros, e classificou a economia do país como já morta.

Os dados oficiais tratam de indicadores distintos. A dívida bruta do governo geral atingiu 82,5% do PIB em julho de 2026, o equivalente a R$ 10,9 trilhões, segundo o Banco Central. O indicador mede o estoque da dívida, não o valor gasto com juros. Em 2025, as contas públicas registraram déficit nominal de R$ 1,062 trilhão. A taxa Selic está em 14% ao ano desde 5 de agosto.

Sobre onde cortar, o candidato foi específico: salários e benefícios de parlamentares, cargos comissionados, vantagens de ministros do Supremo Tribunal Federal, de generais e de magistrados. Ressalvou, porém, que a redução de impostos não pode ser feita de uma vez.

Emendas e a proposta de polícia municipal

Questionado sobre a política de emendas, Léo Assis afirmou que a prioridade seria o Vale do Paraíba, com a saúde como principal destino. Criticou parlamentares que, segundo ele, são eleitos com votos da região e depois se esquecem dela, sem citar nomes.

Ele lembrou que sua ligação com a região é antiga: entrou no seminário redentorista Santo Afonso, em Aparecida, em 2007. Mineiro, disputa uma vaga por todo o estado de São Paulo.

Na área de segurança, apresentou uma proposta que ele mesmo reconheceu soar controversa: transformar as guardas civis municipais em polícias municipais, com poder de polícia. Citou o modelo dos Estados Unidos, onde afirma existir contratação temporária de policiais sem concurso público, e defendeu a ampliação do efetivo em pelo menos 50%.

Posições sobre temas nacionais

No bate-bola realizado pelo Diário de São José, o candidato apresentou posições sobre temas que devem ocupar o próximo Congresso.

Sobre o fim da escala 6×1, não se declarou contra nem a favor. Defendeu que patrão e empregado tenham liberdade para negociar a jornada. A PEC 221/19, que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais sem perda salarial, foi aprovada pela Câmara em dois turnos em 27 de maio deste ano, por 461 votos a 19 no segundo turno, e está no Senado.

É totalmente contrário à regulamentação da inteligência artificial e das redes sociais, com o argumento de que o Código Penal já tipifica crimes como calúnia e difamação.

Sobre o sistema eleitoral, defendeu voto impresso e auditável, mas afirmou confiar nas urnas eletrônicas, lembrando que é por elas que disputa um cargo.

“Não há nada de tão bom que não possa melhorar”, disse.

É contra a legalização dos jogos de azar, mas ponderou que, como liberal, não poderia ser incoerente: avalia que o país precisa de conscientização antes de qualquer liberação e se declarou favorável à regulamentação da divulgação das casas de apostas.

Defende a privatização de empresas estatais sem exceção. E é contrário à taxação de grandes fortunas, argumentando que o custo acabaria repassado ao consumidor final e que a medida estimularia a evasão de divisas.

Quem é Bispo Léo Assis

Léo Assis adota o nome de urna Bispo Léo Assis e disputa uma vaga de deputado federal pelo Partido Novo. Mineiro, mora em São José dos Campos há pouco mais de três anos e meio. Além do trabalho religioso como sacerdote sarumista bizantino, afirma atuar como empresário e cursar Direito.

As eleições acontecem em 4 de outubro de 2026. O Diário de São José entrevista os candidatos a deputado federal e estadual que têm relação com São José dos Campos para apresentar ao eleitor suas trajetórias, propostas e posições sobre temas municipais, regionais e nacionais.

Foto de capa: Divulgação

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Escrito por
Dimas Vilas Boas

Dimas Vilas Boas é jornalista e editor do Diário de São José. Atua na cobertura de temas ligados à cidade, com foco em jornalismo local, análise e contexto sobre os fatos que impactam o cotidiano de São José dos Campos e região.

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