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Eleições 2026: Lucas o Chefuxo quer emendas concentradas no Vale e critica disputa política no Congresso

Empresário e fundador de um projeto social, Lucas o Chefuxo defende que o Congresso pare de discutir a disputa entre governo e oposição e volte a legislar; ele afirma que destinaria os recursos apenas à região

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Lucas o Chefuxo quer emendas concentradas no Vale do Paraíba e critica disputa política no Congresso

O empresário Lucas o Chefuxo (Solidariedade) disputa uma vaga de deputado federal nas eleições de 2026 com uma proposta que foge do padrão das candidaturas regionais: concentrar a totalidade de suas emendas parlamentares no Vale do Paraíba, em vez de distribuí-las entre várias regiões do estado. Em entrevista ao Diário de São José, ele afirmou que essa é a razão central de disputar justamente o cargo federal.

Aos 33 anos, o candidato apresenta a própria trajetória como argumento de campanha. Contou que foi pai aos 15 anos, cresceu no Campo dos Alemães, na zona sul de São José dos Campos, em família de origem simples e cristã, como filho de pastor. Prosperou como empresário — diz ter chegado a 14 empresas — e afirma ter encerrado as atividades em 2024 para se dedicar integralmente a um projeto social, cumprindo um compromisso que diz ter assumido em oração ainda na juventude.

É a partir dessa mudança que ele justifica a entrada na política. Questionado sobre não ter disputado antes um cargo municipal, respondeu que a lógica da progressão de cargos não se aplica ao seu caso, embora reconheça que quem já ocupa mandato tem mais visibilidade.

“Dentro da política não existe hierarquia”, afirmou.

Ele sustentou ainda que o trabalho social que realiza supera o de qualquer político da região, ressalvando que não desmerece ninguém.

Emendas concentradas no Vale do Paraíba

O principal argumento apresentado por Lucas o Chefuxo para a escolha do cargo é o acesso a emendas parlamentares. Segundo ele, deputado federal seria o único cargo com essa prerrogativa.

O desenho constitucional é mais amplo. As emendas individuais impositivas ao Orçamento da União são apresentadas tanto por deputados federais quanto por senadores. Em 2025, cada deputado dispôs de aproximadamente R$ 37,2 milhões e cada senador, de R$ 68,5 milhões. Deputados estaduais também apresentam emendas ao orçamento do próprio estado, e vereadores, ao municipal. A Constituição determina ainda que metade do valor das emendas individuais seja destinada a ações e serviços públicos de saúde.

A proposta do candidato é de concentração geográfica. Ele avalia que a prática comum de espalhar recursos por muitas cidades pulveriza o investimento e reduz o impacto de cada repasse.

“O meu maior objetivo é trabalhar somente o Vale do Paraíba”, disse.

As áreas prioritárias apontadas foram três: assistência social, saúde e educação. Para ele, as três se comunicam, e investir em um hospital é também investir no social.

Segurança: leis fracas e redução da maioridade penal

Sobre o enfrentamento ao crime organizado, o candidato deslocou a resposta para o funcionamento do Congresso. Afirmou que o país convive com legislação insuficiente e que o debate sobre criminalidade tem sido substituído pela disputa entre os campos de Lula e Bolsonaro no plenário. Disse que sua bandeira seria cobrar dos parlamentares o retorno à função de legislar.

“Nós estamos vivendo num país totalmente inseguro e com leis fracas”, afirmou.

Declarou-se favorável à redução da maioridade penal, com o argumento de que um adolescente de 16 anos que comete homicídio, muitas vezes por valores pequenos, deve responder pelo crime.

A proposta avançou uma etapa neste ano. Em junho, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou, por 44 votos a 18, a admissibilidade da PEC 32/2015 e de propostas correlatas, que reduzem a maioridade penal de 18 para 16 anos. A análise da CCJ, porém, é apenas o primeiro passo: o texto ainda precisa passar por comissão especial e por dois turnos no Plenário, e depois pelo Senado. Em 2015, a Câmara já havia aprovado proposta semelhante, a PEC 171/1993, que não foi concluída pelo Senado.

Contas públicas sem definição entre cortar e arrecadar

Perguntado sobre o dilema entre aumento de impostos e corte de gastos, o candidato não se posicionou por nenhuma das duas saídas. Disse que, como empresário, conhece o peso da carga tributária, mas que a decisão dependeria do que fosse melhor para a população: se for preciso aumentar, aumenta; se for preciso diminuir, diminui.

Afirmou já ter visto parlamentares direcionando investimentos para onde não havia necessidade, sem citar casos ou nomes, e disse que o país está entrando em um rombo.

O tema deve ocupar o próximo Congresso. Em 2025, as contas públicas brasileiras registraram déficit nominal de R$ 1,062 trilhão, segundo dados divulgados pela Agência Brasil. Em julho deste ano, a dívida pública federal alcançou R$ 9,289 trilhões. A taxa Selic está em 14% ao ano desde a reunião do Copom de 5 de agosto, na quarta redução consecutiva.

Posições sobre temas nacionais

No bate-bola realizado pelo Diário de São José, Lucas o Chefuxo também apresentou posições sobre temas que deverão fazer parte da agenda do próximo Congresso.

O candidato é favorável ao fim da escala de trabalho 6×1. A PEC 221/19, que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais sem perda salarial, foi aprovada pela Câmara em dois turnos em 27 de maio deste ano, por 461 votos a 19 no segundo turno, e está no Senado.

Também se declarou favorável à regulamentação da inteligência artificial e das redes sociais, e ao endurecimento das penas para integrantes de facções criminosas, este último de forma enfática.

Sobre emendas parlamentares, posicionou-se contra a liberação de recursos sem indicação pública do destino. O tema foi objeto de disputa recente entre os Poderes: em agosto de 2024, o Plenário do Supremo Tribunal Federal validou, por unanimidade, decisões do ministro Flávio Dino que suspenderam as emendas impositivas até que o Congresso garantisse transparência sobre a destinação dos recursos.

É contrário à legalização dos jogos de azar, à privatização de empresas estatais e à taxação de grandes fortunas. Sobre o sistema eleitoral, manifestou-se favorável à auditabilidade das urnas.

Quem é Lucas o Chefuxo

Lucas Nunes Almeida, que adota o nome de urna Lucas o Chefuxo, tem 33 anos e concorre pelo Solidariedade, dentro da Federação Renovação Solidária. Morador de São José dos Campos, é empresário e atua em projeto social no município e em outras cidades da região desde 2024.

Em suas considerações finais, pediu ao eleitor que observe quem, em sua avaliação, está de fato disposto a cuidar das pessoas.

“Entrar com a política não é pensar em dinheiro, mas é pensar em mudança, em transformação de vidas”, afirmou.

Disse que, se eleito, seguirá tocando o projeto social em São José dos Campos, e que a candidatura existe justamente para ampliar esse trabalho.

As eleições acontecem em 4 de outubro de 2026. O Diário de São José entrevista os candidatos a deputado federal e estadual que têm relação com São José dos Campos para apresentar ao eleitor suas trajetórias, propostas e posições sobre temas municipais, regionais e nacionais.

Foto de capa: Divulgação

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Escrito por
Dimas Vilas Boas

Dimas Vilas Boas é jornalista e editor do Diário de São José. Atua na cobertura de temas ligados à cidade, com foco em jornalismo local, análise e contexto sobre os fatos que impactam o cotidiano de São José dos Campos e região.

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