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Embraer fatura R$ 7,6 bilhões no 1º trimestre de 2026, mas lucro cai 51% e ação despenca 8% na Bolsa

Receita da fabricante de São José dos Campos bateu recorde para o período, porém rentabilidade abaixo do esperado frustrou o mercado; Citi manteve recomendação de compra

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Embraer fatura R$ 7,6 bilhões no 1º trimestre de 2026, mas lucro cai 51% e ação despenca 8% na Bolsa

A Embraer registrou receita de R$ 7,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 18% em relação ao mesmo período do ano passado e maior resultado da fabricante para um primeiro trimestre. O balanço, divulgado nesta sexta-feira (8), não foi suficiente para convencer o mercado financeiro: as ações da companhia (EMBJ3) recuaram 8,2% na B3, cotadas a R$ 76,49, e lideraram as perdas do Ibovespa no pregão.

O lucro líquido da empresa, com sede em São José dos Campos, caiu 51%, de R$ 299,9 milhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 145,4 milhões no mesmo intervalo deste ano. Em dólares, o lucro líquido ajustado foi de US$ 27,7 milhões, ante US$ 50 milhões um ano antes. A receita em dólares chegou a US$ 1,4 bilhão, avanço de 31% na comparação anual — diferença frente ao crescimento em reais explicada, em parte, pela variação cambial.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado avançou 18,8%, para R$ 749,4 milhões, em linha com as expectativas do mercado. A margem EBIT ajustada consolidada subiu de 5,6% para 6,5%.

Mercado vê rentabilidade fraca no balanço da Embraer

Na avaliação do banco norte-americano Citi, os resultados da EMBRAER podem ser considerados fracos. Segundo os analistas André Mazini, Kiepher Kennedy e Piero Trotta, o EBIT e o lucro líquido ficaram 20% e 24% abaixo das estimativas da instituição, respectivamente.

A divisão de Aviação Comercial registrou a menor margem bruta para um primeiro trimestre em três anos, pressionada por um mix de clientes menos favorável e por custos logísticos mais elevados, segundo o Citi. Na Aviação Executiva, o banco destacou impacto negativo de US$ 12 milhões decorrente das tarifas de importação dos Estados Unidos, equivalente a 2,8 pontos percentuais sobre as margens da divisão. A Embraer informou, no balanço, que as tarifas americanas geraram impacto total de US$ 13 milhões no trimestre.

Outro ponto monitorado pelo mercado foi o consumo de caixa de US$ 447 milhões no período. O Citi classificou o movimento como sazonal, ligado à necessidade de capital de giro para sustentar um volume maior de entregas nos próximos trimestres.

Apesar da reação negativa, o banco manteve recomendação de compra para EMBJ3, com preço-alvo de US$ 77 — potencial de valorização de 13,7% frente ao fechamento anterior.

Defesa puxa receita e entregas sobem 47%

O resultado da receita foi impulsionado principalmente pelas áreas de Defesa e Segurança e Aviação Comercial. A divisão de Defesa e Segurança faturou US$ 227 milhões, alta de 63%, favorecida pelo avanço na produção do cargueiro KC-390 Millennium e do turboélice A-29 Super Tucano, além de um efeito não recorrente de US$ 25 milhões. A margem EBIT ajustada do segmento saltou de -1,6% para 17%. O Citi apontou a divisão como o destaque operacional do período.

A Aviação Comercial registrou receita de US$ 293 milhões, crescimento de 45%. A Aviação Executiva chegou a US$ 418 milhões, avanço de 30%. Serviços e Suporte totalizou US$ 490 milhões, alta de 15%.

A Embraer entregou 44 aeronaves no trimestre, contra 30 no mesmo período de 2025 — aumento de 47%. Foram dez jatos comerciais, 29 executivos e cinco aeronaves de defesa, incluindo um KC-390 Millennium e quatro A-29 Super Tucano.

A carteira de pedidos consolidada atingiu US$ 32,1 bilhões, crescimento de 22% na comparação anual e sexto recorde histórico consecutivo. O segmento de Aviação Comercial teve destaque, com avanço de 50% no volume de encomendas em relação ao ano anterior.

Na linha de investimentos, a companhia reportou US$ 98,8 milhões no trimestre. Somados os aportes na Eve, subsidiária voltada à mobilidade aérea urbana, o total investido chegou a US$ 148,6 milhões, ante US$ 124,5 milhões no primeiro trimestre de 2025.

Para o restante de 2026, a Embraer manteve as projeções já divulgadas: entre 80 e 85 aeronaves comerciais e entre 160 e 170 jatos executivos ao longo do ano.

Foto de capa: Divulgação/Embraer

Com informações do e-investidor/Estadão.

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Escrito por
Dimas Vilas Boas

Dimas Vilas Boas é jornalista e editor do Diário de São José. Atua na cobertura de temas ligados à cidade, com foco em jornalismo local, análise e contexto sobre os fatos que impactam o cotidiano de São José dos Campos e região.

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