O Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence registrou, nesta quarta-feira (4), a segunda doação de órgãos do ano de 2026. O procedimento foi realizado após a confirmação de morte encefálica de um jovem de 22 anos, atestada pela equipe médica na segunda-feira (2).
A retirada dos órgãos teve início na madrugada e foi concluída ao longo da manhã, com atuação conjunta da equipe do hospital e da Organização de Procura de Órgãos. Após autorização formal da família, foram captados o coração, os rins, o fígado e as córneas, totalizando seis órgãos e tecidos destinados a transplantes.
Por determinação legal e por princípios éticos, a identidade do doador e das pessoas transplantadas permanece sob sigilo no Brasil. A regra, prevista na Lei de Transplantes, protege a privacidade das famílias, evita pressões emocionais e garante que a distribuição dos órgãos siga exclusivamente critérios médicos e técnicos.
São José mantém papel de destaque na captação de órgãos
A doação registrada nesta semana ocorre poucos dias após a primeira captação de órgãos de 2026, realizada no próprio Hospital Municipal. Na ocasião, foram captados coração, pulmões, rins, fígado e córneas de um doador de 21 anos, também do sexo masculino.
Gerenciado pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), o Hospital Municipal de São José dos Campos é referência regional em captação de órgãos. Somente em 2025, a unidade registrou a captação de 32 órgãos e tecidos, sendo 13 rins, 12 córneas, seis fígados e um osso.
A taxa de autorização familiar no hospital foi de 53%, índice considerado compatível com a média nacional. O número reflete tanto o trabalho técnico das equipes quanto a importância do diálogo prévio sobre o desejo de doar órgãos.
Como funciona o processo de doação
Quando a morte encefálica é confirmada por critérios médicos rigorosos, a família do paciente é comunicada e orientada. Somente com a autorização dos familiares o hospital notifica a Organização de Procura de Órgãos, responsável por viabilizar a doação.
A OPO integra o Sistema Nacional de Transplantes e atua em articulação com a Central de Transplantes, garantindo que todo o processo siga critérios legais, éticos e de segurança. No Vale do Paraíba, o atendimento regional é feito por uma OPO vinculada à Unicamp, em Campinas.
A captação de órgãos é considerada um procedimento seguro, realizado apenas após a constatação definitiva da morte encefálica e com consentimento familiar. Por isso, especialistas reforçam a importância de que as pessoas manifestem ainda em vida o desejo de serem doadoras, facilitando a decisão dos familiares em um momento delicado.
Foto de capa: Divulgação
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