A disputa pelo governo de São Paulo em 2026 começa a ganhar contornos mais claros. Pesquisa divulgada pela Futura Inteligência, instituto da Apex Partners, aponta o governador Tarcísio de Freitas como favorito tanto no primeiro quanto no segundo turno. Ao mesmo tempo, declarações recentes do próprio governador indicam um esforço público para reafirmar sua autonomia política em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro, seu principal padrinho eleitoral.
O levantamento ouviu 1.200 eleitores paulistas entre os dias 20 e 23 de janeiro e foi divulgado no fim do mês, em meio ao anúncio oficial de que Tarcísio disputará a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes.
Tarcísio lidera com folga no primeiro turno e amplia vantagem no segundo
Em um dos cenários testados para o primeiro turno, Tarcísio aparece com 41% das intenções de voto. Na sequência surge o vice-presidente Geraldo Alckmin, com 24,6%. O empresário Pablo Marçal registra 12,6%, enquanto Erika Hilton soma 7%. Outros nomes testados, como Marcos Pontes, Paulo Serra e Felipe D’Ávila, aparecem com percentuais inferiores a 2%.
Nas simulações de segundo turno, a vantagem do atual governador se amplia. Contra Fernando Haddad, Tarcísio venceria por 56,6% a 31,2%. Em eventual disputa com Alckmin, o placar seria de 53,9% contra 35,4%. Já diante da senadora Simone Tebet, o governador alcançaria 60,1% das intenções de voto, frente a 26,6%.
Cenário presidencial em SP é adverso para Lula
A pesquisa também testou cenários da eleição presidencial entre os eleitores paulistas. Em um eventual segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, o senador aparece numericamente à frente, com 50,5% contra 38,2%.
Quando o confronto é entre Lula e Tarcísio, o governador paulista amplia a vantagem e atinge 54,2% das intenções de voto, enquanto o presidente soma 34,9%. Já em uma disputa entre Lula e Ratinho Júnior, o paranaense lidera em São Paulo com 49,2%, ante 37% do petista.
O levantamento mostra ainda que a avaliação do governo federal no estado segue negativa. Segundo a Futura, 59% dos eleitores paulistas desaprovam a atuação de Lula, enquanto 38,6% afirmam aprovar o governo.
“Não tem nada a ver com submissão”, diz Tarcísio sobre Bolsonaro
No dia seguinte à divulgação do levantamento, Tarcísio voltou ao centro do noticiário político ao comentar publicamente sua relação com Bolsonaro. Questionado sobre declarações do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que afirmou que o governador ainda precisa construir identidade própria, Tarcísio foi direto.
“A decisão, por exemplo, de ficar em São Paulo, não tem nada a ver com submissão. É uma decisão que eu estou dizendo, e não é nenhuma novidade, desde 2023.”
O governador reagiu também à avaliação de Kassab de que “uma coisa é gratidão, reconhecimento, lealdade; outra coisa é submissão”, feita em entrevista ao UOL News. Segundo Tarcísio, apoiar Bolsonaro no momento atual não implica dependência política.
“Eu sempre vou ser grato a quem me estendeu a mão, a quem abriu as portas. É fácil você estar do lado quando a pessoa tá bem. Difícil, e você não vê muito isso na política, é estender a mão quando a pessoa está na pior, quando a pessoa precisa da sua ajuda, quando a pessoa perdeu o poder, quando a pessoa está privada da sua liberdade. E é nesse momento que os amigos aparecem, pra dizer ‘tô contigo, conta comigo’. Isso não tem absolutamente nada a ver com submissão.”
Reeleição em SP e articulação nacional
Mesmo sendo citado por setores do mercado como possível nome para a disputa presidencial, Tarcísio reafirmou que sua prioridade é a reeleição em São Paulo. O governador destacou que pretende alinhar a campanha estadual com a estratégia nacional do grupo político ligado a Bolsonaro, especialmente em apoio ao senador Flávio Bolsonaro.
“A gente vai aliar a estratégia de São Paulo à estratégia nacional do nosso grupo, que está ficando cada vez mais consolidada. Existem algumas decisões que vão ser tomadas lá na frente, que envolvem alianças, nomes, viabilidade. Vamos construir grupo com eleição forte em São Paulo e que vai ajudar na eleição nacional.”
Ao falar sobre Kassab, o governador adotou tom conciliador, reconhecendo o peso político do dirigente, que articula uma possível candidatura presidencial do PSD como terceira via. Kassab, por sua vez, afirmou que o partido pretende definir seu nome até 15 de abril e que pesquisas não serão o único critério de decisão.
Foto de capa: Divulgação
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