O pré-candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema, esteve em São José dos Campos nesta quarta-feira (27) para um encontro com cerca de 200 empresários do Vale do Paraíba na sede da Associação dos Empresários do Vale do Paraíba (Assecre), no bairro Chácaras Reunidas. Em pouco menos de uma hora de fala, o ex-governador de Minas Gerais defendeu políticas de crédito para pequenas e médias empresas, criticou a taxa de juros, atacou o Supremo Tribunal Federal (STF) e fez acenos diretos à disputa eleitoral de outubro de 2026.
Zema deixou o governo de Minas Gerais em 22 de março deste ano para se dedicar à pré-campanha presidencial. O evento em São José dos Campos teve como tema “Os grandes desafios e ideias para o Brasil” e foi um dos compromissos do dia na região: após o encontro na Assecre, Zema seguiu para Taubaté, onde se reuniu com o prefeito Sérgio Victor, do Novo.
Procurado pelo Diário de São José após o evento, Zema não concedeu entrevista.
Zema critica juros e pede reformas para o setor produtivo
O tom predominante da fala de Zema foi de crítica à política econômica do governo federal e de defesa de reformas estruturais voltadas ao setor produtivo. O ex-governador disse que o poder público precisa ouvir mais os empresários para que o país aumente a industrialização, a renda e a geração de empregos.
“O que nós precisamos no Brasil é de um ambiente menos hostil pro setor produtivo. Uma menor taxa de juros ajuda. Uma reforma sindical ajuda”, afirmou Zema.
“Eu quero uma alternativa à CLT. Todo mundo aqui na hora que vai casar pode escolher como vai casar, se é regime parcial, total. Agora, se você vai trabalhar, você é obrigado a engolir a CLT, num tem outra alternativa. Por que não pode continuar CLT e ter um contrato por hora como em todos os países desenvolvidos que deram certo?” Romeu Zema, pré-candidato à presidência pelo Novo
Zema defendeu que a legislação trabalhista vigente funciona como “um convite à informalidade” e que reformas em diferentes áreas seriam necessárias para reverter o cenário, entre elas reforma fiscal, previdenciária, sindical e mudanças no sistema de contratação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Disse ainda que o poder público precisa reduzir cargos, rever questões orçamentárias, controlar a dívida pública, realizar privatizações e garantir a segurança pública.
“Quanto se gasta de segurança pública nesse país é uma coisa absurda, e ninguém consegue calcular direito. 45 mil homicídios por ano. Mata-se mais aqui que as guerras somadas, e normalizamos isso”, afirmou.
Questionado pela plateia sobre a concorrência chinesa, Zema apontou que os empresários da China operam com taxas de juros menores e um parque industrial mais moderno.
“A competitividade para se tornar justa tem que ter uma calibragem, tem que se equalizar por meio de custos, de uma taxa de juros menor para os investimentos e contar com uma mão de obra qualificada que acompanhe os avanços que o mercado exige”, disse.
Pré-candidato ataca STF e faz referência a contrato de esposa de ministro
Em diferentes momentos da fala, Zema direcionou críticas ao STF e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem se referiu indiretamente como parte dos “intocáveis de Brasília”.
O pré-candidato mencionou um contrato de R$ 129 milhões para ilustrar o que chamou de descolamento entre a classe política e a realidade da população.
“O brasileiro apertado e os intocáveis de Brasília fazendo contrato pra esposa de 129 milhões de reais. O que 99,9% dos brasileiros não ganham durante uma vida toda um ministro lá pra pessoa. Já tive com gente do Itaú Unibanco que são muito maiores e nunca fizeram um contrato dessa magnitude no Brasil”, declarou.
A referência é ao contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. O contrato, revelado pelo jornal O Globo em dezembro de 2025, previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões durante três anos para serviços de assessoria e consultoria jurídica. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou o pedido de investigação sobre o caso em dezembro do mesmo ano, citando ausência de lastro probatório.
Em outra passagem, Zema comparou ministros do STF a árvores comprometidas.
“Lá no Supremo nós temos pelo menos duas árvores podres. Aquelas árvores que ficam em pé, não tem folha, tá lá o cupim comendo tudo, é só questão de ter o vento certo pra ela cair. E vai cair o ano que vem. Em nome do povo que trabalha, de um povo que não pode todo dia quando levanta ficar levando esse tapa na cara”, disse.
O ex-governador também sinalizou confiança na eleição presidencial de outubro.
“Eu estou confiante que em outubro vamos fazer a mudança. O brasileiro tá cansado dessa taxa de juros que tá asfixiando todo mundo, tá matando muitas empresas, tá tendo também um peso enorme nos orçamentos domésticos das famílias”, afirmou.
Apesar do tom de campanha, Zema abriu o discurso com uma declaração otimista sobre o país. “Eu sou muito confiante no Brasil. Alguns aqui já viram algumas mudanças que eu achava impossíveis. Hiperinflação. Eu venho do setor varejista, eram três listas de preço por semana, na época que a inflação chegou a 80%. Nós resolvemos esse problema. Ela pode voltar, mas nada que se compare ao nosso vizinho Argentina”, disse.
Assecre diz que encontro é apartidário e que está aberta a outros candidatos
A direção da Assecre afirmou que o encontro foi apartidário e que a associação está aberta para receber outros candidatos à Presidência da República, ao Senado e ao governo do estado. A abertura do evento ficou a cargo do cientista político e comentarista Christian Loubauer.
Zema é pré-candidato à Presidência da República pelo Novo desde agosto de 2025, quando lançou a pré-candidatura em evento do partido em São Paulo. Ex-governador de Minas Gerais por dois mandatos consecutivos (2019-2026), deixou o cargo em março para se dedicar à corrida eleitoral. O cenário de 2026 na direita inclui ainda nomes como Ronaldo Caiado (União Brasil), governador de Goiás, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), em meio à inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro até 2030. O presidente Lula (PT) deve concorrer à reeleição.
Pesquisa AtlasIntel divulgada no fim de abril mostrou Lula em empate técnico em cenários de segundo turno contra Flávio Bolsonaro e contra Zema.
Foto de capa: Divulgação
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