Comportamento

Emagrecer entra no radar de 2026, mas só promessa não resolve

Pesquisa mostra que brasileiros querem se exercitar mais e comer melhor em 2026, mas médicos alertam: sem consistência e acompanhamento, a meta costuma morrer antes do Carnaval

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Emagrecer entra no radar de 2026, mas só promessa não resolve

O começo de um novo ano quase sempre vem acompanhado de listas, resoluções e promessas. Entre elas, emagrecer segue figurando como uma das metas mais frequentes dos brasileiros para 2026. Dados recentes ajudam a explicar por quê: pesquisa do Instituto Locomotiva, em parceria com a QuestionPro, aponta que 86% da população pretende praticar mais atividade física e 89% quer melhorar a alimentação ao longo do ano.

O desejo não surge do nada. Levantamento do Datafolha revela que 59% dos brasileiros se consideram acima do peso, sendo 35% com sobrepeso e 24% com obesidade. A maioria afirma que quer melhorar a saúde do corpo e reduzir gordura, apostando principalmente em atividade física (71%) e mudanças na alimentação (56%). Medicamentos e cirurgia bariátrica aparecem bem atrás, citados por apenas 4% dos entrevistados.

Ainda assim, a experiência mostra que querer não é o mesmo que conseguir.

Motivação até existe. O problema é sustentar

Uma pesquisa da Forbes Health, nos Estados Unidos, ajuda a entender o fenômeno. Segundo o estudo, 48% das pessoas colocam “melhorar a saúde” como resolução de Ano Novo e 34% dizem querer perder peso. O dado mais revelador, porém, vem depois: apenas 8% conseguem manter o plano por mais de um mês.

Para o médico Danilo Almeida, o erro começa na forma como o emagrecimento costuma ser encarado. Entre agora no canal oficial do Diário no Whatsapp e receba notícias em tempo real.

“Na prática, o corpo responde bem melhor aos pequenos ajustes consistentes, aqueles que cabem na rotina e podem ser mantidos ao longo do tempo”, afirma.

Segundo ele, dietas radicais, detox da moda e soluções milagrosas costumam ser o primeiro passo para o abandono precoce da meta. “Começar o ano com uma estratégia extrema geralmente é o caminho mais curto para desistir”, completa.

O que realmente faz diferença ao longo do ano

O médico explica que emagrecer é um processo fisiológico, não um teste de força de vontade. Pequenas mudanças, quando mantidas, tendem a gerar resultados mais duradouros. Entre os pontos que ele considera essenciais estão hidratação adequada, alimentação mais equilibrada e aumento do gasto energético. Siga o @diariodesaojose.com.br no Instagram.

Sobre a ingestão de água, o alerta é simples e direto:

“O ideal é consumir entre 35 e 50 mililitros de água por quilo de peso ao dia. Doses mais próximas de 35 ml em dias mais amenos e chegando a 50 ml em dias mais quentes, especialmente quando há prática de exercícios ou maior perda de líquidos pelo suor.”

Outro erro comum, segundo Danilo, está no consumo insuficiente de proteínas. “É muito mais comum ver pessoas comendo menos proteína do que o recomendado, e não o contrário”, diz. Ele explica que proteínas ajudam a aumentar a saciedade, preservar a massa magra e manter o metabolismo ativo.

Também entram na conta a redução de ultraprocessados, o maior consumo de frutas, verduras e legumes e a escolha de preparações mais simples, como cozidos, grelhados e assados, com menos gordura e menos sal.

Exercício não é só estética, é estratégia metabólica

A atividade física aparece como um dos pilares do processo, mas não apenas pelo gasto calórico imediato. “O músculo é metabolicamente ativo. Quanto mais massa magra, mais energia o corpo gasta, inclusive em repouso”, explica o médico.

Por isso, ele recomenda combinar exercícios aeróbicos com musculação, respeitando o condicionamento e a rotina de cada pessoa. A constância, mais uma vez, pesa mais do que a intensidade inicial.

Mesmo seguindo orientações básicas, há casos em que o emagrecimento simplesmente não acontece. Nesses cenários, Danilo alerta para fatores que costumam ser ignorados.

“Alterações hormonais, deficiência de vitaminas, distúrbios metabólicos e problemas intestinais podem sabotar a perda de peso, mesmo quando a alimentação está correta.”

Por isso, manter exames em dia e contar com acompanhamento profissional pode ser decisivo para destravar o processo.

Cuidado com dietas prontas e receitas da internet

O médico também faz um alerta direto sobre o uso indiscriminado de dietas prontas encontradas na internet ou geradas por aplicativos e ferramentas de inteligência artificial.

“Cada vez mais pessoas estão recorrendo à internet e a ferramentas de IA em busca de dietas prontas. Mas isso é um risco.”

Segundo ele, esse tipo de abordagem ignora variáveis fundamentais como metabolismo, histórico clínico e necessidades individuais. “Se você já faz tudo certo e não emagrece, isso não significa falta de esforço. Pode ser sinal de que existe uma alteração metabólica, hormonal ou nutricional que precisa ser investigada.”

Para Danilo Almeida, o emagrecimento sustentável passa longe de soluções rápidas.

“Prometer melhorar os hábitos alimentares já é o primeiro passo. O segundo é entender que o resultado vem do equilíbrio, não da pressa.”

Em 2026, a diferença entre mais uma promessa frustrada e um resultado real pode estar justamente aí: menos radicalismo, mais constância e decisões que caibam na vida real.

Foto de capa: Freepik

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Escrito por
Dimas Vilas Boas

Dimas Vilas Boas é jornalista e editor do Diário de São José. Atua na cobertura de temas ligados à cidade, com foco em jornalismo local, análise e contexto sobre os fatos que impactam o cotidiano de São José dos Campos e região.

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