O Brasil encerra 2025 com o menor nível de desemprego desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012. No trimestre encerrado em novembro, a taxa de desocupação ficou em 5,2%, consolidando uma sequência de quedas ao longo do ano e confirmando um mercado de trabalho em patamar historicamente elevado.
Os dados divulgados pelo IBGE mostram que 5,644 milhões de pessoas estavam em busca de trabalho no período, o menor contingente de desocupados já registrado pela pesquisa. No ponto mais crítico da série, durante o auge da pandemia, esse número chegou a 14,979 milhões, no trimestre encerrado em março de 2021.
A redução do desemprego veio acompanhada de um novo recorde de ocupação. O país alcançou 103 milhões de pessoas ocupadas, elevando o nível de ocupação para 59,0% da população com 14 anos ou mais, o maior percentual já observado pela PNAD Contínua. Entre agora no canal oficial do Diário no Whatsapp e receba notícias em tempo real.
Para a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, o movimento reflete a consistência do mercado ao longo do ano. “A manutenção do contingente de trabalhadores em elevado patamar ao longo de 2025 tem assegurado a redução da pressão por busca de trabalho, reduzindo consideravelmente a taxa de desocupação”, afirmou.
Subutilização também atinge o menor nível da série
O cenário positivo não se limita ao desemprego aberto. A taxa de subutilização da força de trabalho, que inclui pessoas que gostariam de trabalhar mais horas ou estão disponíveis, mas não procuraram emprego, caiu para 13,5%, o menor nível da série histórica.
A população subutilizada somou 15,4 milhões de pessoas, o menor contingente desde o fim de 2014. Em relação ao trimestre anterior, a queda foi de 627 mil pessoas. Na comparação anual, a redução chega a 2,1 milhões, indicando melhora estrutural e não apenas pontual.
Administração pública e serviços sustentam a alta
Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, apenas um grupamento apresentou crescimento estatisticamente significativo: administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, com alta de 2,6%, o equivalente a 492 mil pessoas ocupadas a mais.
Na comparação anual, esse mesmo grupamento avançou 5,6%, somando 1 milhão de novos postos, ao lado de transporte, armazenagem e correio, que cresceu 3,9%. Em sentido oposto, o trabalho doméstico recuou 6,0%, com redução de 357 mil trabalhadores. Siga o @diariodesaojose.com.br no Instagram.
“As ocupações associadas às atividades de serviços de Educação e Saúde foram as que mais contribuíram para a expansão da ocupação no trimestre”, observou Adriana Beringuy.
Informalidade recua e emprego com carteira bate recorde
A taxa de informalidade ficou em 37,7% da população ocupada, equivalente a 38,8 milhões de trabalhadores, abaixo tanto do trimestre anterior quanto do mesmo período de 2024.
O recuo foi influenciado pelo novo recorde de trabalhadores com carteira assinada, que chegou a 39,4 milhões, com crescimento anual de 2,6%, ou mais 1 milhão de pessoas. O emprego no setor público também atingiu patamar recorde, com 13,1 milhões de trabalhadores, alta de 1,9% no trimestre.
Já o número de empregados sem carteira no setor privado caiu 3,4% em um ano. Em contrapartida, o trabalho por conta própria alcançou 26 milhões de pessoas, outro recorde da série, indicando uma combinação de formalização e empreendedorismo convivendo no mercado.
Renda média e massa salarial também batem recorde
O rendimento médio real habitual da população ocupada chegou a R$ 3.574, o maior valor da série histórica. O crescimento foi de 1,8% no trimestre e de 4,5% na comparação anual, já descontada a inflação.
Com mais gente trabalhando e ganhando mais, a massa de rendimento real habitual também atingiu um novo recorde: R$ 363,7 bilhões, com aumento de R$ 19,9 bilhões em relação ao mesmo trimestre de 2024.
“A combinação de expansão do trabalho e da renda impulsionam a massa de rendimento do trabalho na economia”, explicou Adriana Beringuy, ao destacar o efeito conjunto do aumento da ocupação e da renda média.
Foto de capa: Divulgação









