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Crise hídrica: Sabesp amplia redução de pressão na Grande SP

Medida passa a valer das 19h às 5h; bairros em regiões altas podem ficar sem água e investimentos prometidos só chegam em 2026

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Crise hídrica: Sabesp amplia redução de pressão na Grande SP

A partir desta segunda-feira (22), moradores da Região Metropolitana de São Paulo vão conviver com torneiras mais fracas por ainda mais tempo. A Sabesp, sob determinação da Arsesp, amplia de oito para dez horas o período diário de redução da pressão da água. Se até agora a restrição ia das 21h às 5h, a partir de agora começa às 19h. O governo batiza a manobra de “gestão de demanda noturna”, mas, para quem depende da água, o nome não importa: o efeito é o mesmo, e em muitos bairros significa simplesmente ficar sem abastecimento durante a noite.

O cenário que justifica a medida é conhecido: os reservatórios estão em queda livre. O sistema responsável por abastecer a Grande São Paulo opera hoje com apenas 32,8% da sua capacidade, quase oito pontos percentuais a menos do que em 2021. Os dois maiores mananciais, Cantareira e Alto Tietê, que juntos concentram 80% do sistema, estão ainda piores: 30,3% e 26,1% respectivamente. Na última semana, a média de perda foi de 0,26% ao dia, reflexo de uma estiagem mais rigorosa do que a média histórica e da falta de chuvas consistentes nos últimos dois anos. Em agosto, por exemplo, choveu apenas 3 milímetros na bacia PCJ, quando o esperado eram 29 mm, e 11 mm no Alto Tietê, menos de um terço da média.

Na versão oficial, a Sabesp diz que a redução de pressão é preventiva, temporária e ajuda a conter vazamentos subterrâneos. Tecnicamente é verdade: com menos pressão, a água escapa menos pela rede. Mas esse discurso não apaga o efeito colateral — o desabastecimento na ponta da linha, principalmente em bairros afastados e em regiões mais altas da capital, como já aconteceu em 2021 e, antes disso, na crise hídrica de 2014 a 2016. Quem vive nesses lugares sabe que não se trata apenas de “pressão reduzida”, mas de torneiras secas durante a noite inteira. “Todos os dias eu chego por volta das 22h30 e a água já acabou. Só volta de madrugada. Agora, com duas horas a mais, a situação vai piorar”, relata Paulo Roberto, técnico de edificações que mora no Itaim Paulista. A aposentada Teresa Godois confirma: “Para nós, a noite é uma falta de água bem grande. Quem tem doente em casa sofre muito. É complicado demais.”

O governo e a Sabesp falam em resultados positivos: desde que a medida começou, no fim de agosto, foram economizados 7,2 bilhões de litros de água, volume suficiente para abastecer uma cidade do porte de São Bernardo do Campo por um mês. Só que o número que importa de verdade continua em queda: o volume armazenado nas represas. Nos últimos três anos, a matemática não fecha. Em 2022, as chuvas permitiram encher mais de 715 bilhões de litros. No ano seguinte, a estiagem levou embora quase 323 milhões. Em 2023, a reposição foi tímida, pouco mais de 312 milhões. Em 2024, a perda disparou: 617 milhões de litros. E as chuvas seguintes só devolveram 177 milhões. Agora, em 2025, a seca já soma 380 milhões de litros de déficit, antes mesmo da temporada de chuvas começar.

Enquanto isso, os investimentos estruturais da Sabesp andam em outro ritmo. A empresa fala em grandes obras, mas todas com entregas previstas para 2026 ou 2027. A transferência de água do rio Itapanhaú para o sistema Alto Tietê, por exemplo, só vai operar em plena capacidade no ano que vem. A interligação Billings-Taiaçupeba, orçada em R$ 500 milhões, só em 2027. Até lá, o consumidor continua dependente de soluções emergenciais, de campanhas de conscientização e de medidas que, na prática, equivalem a racionamento disfarçado.

O quadro atual, portanto, não é apenas de estiagem. É também de um sistema que não conseguiu se recuperar plenamente das últimas crises e que depende de obras futuras para ganhar fôlego. Até lá, a equação é simples e dura: mais horas com água fraca, mais bairros vulneráveis ao desabastecimento e uma população obrigada a economizar no cotidiano, enquanto a companhia tenta segurar os reservatórios e evitar que a palavra proibida — racionamento — seja assumida oficialmente.

Foto de capa: Divulgação

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Redação do Diário de São José

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