O Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a prevenção ao suicídio, também chama atenção para um público muitas vezes negligenciado quando o assunto é saúde mental: os longevos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a doença atinge cerca de 13% da população entre os 60 anos e 64 anos de idade, sendo um dos principais fatores de risco para o suicídio nessa faixa etária.
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O psicólogo Francisco Carlos Gomes, cofundador do canal Longidade, explica que a solidão é uma das grandes vilãs desse cenário. “Muitos longevos enfrentam perdas significativas ao longo da vida, como a saída dos filhos de casa, a morte de amigos e parceiros, além da aposentadoria. Esses fatores podem intensificar sentimentos de isolamento e inutilidade, aumentando o risco de depressão e ideação suicida”, ressalta.
Já a médica geriatra Dra. Polianna Souza, também cofundadora do Longidade, destaca que hábitos saudáveis são determinantes não apenas para a saúde física, mas também para a emocional. “Manter uma rotina de sono adequada, praticar atividade física regular, cultivar relações sociais e investir em hobbies ou projetos pessoais contribui para uma longevidade com qualidade e equilíbrio emocional”, afirma.
Os especialistas reforçam que falar sobre saúde mental na longevidade é fundamental para combater estigmas e oferecer suporte a quem enfrenta esse desafio. “Ainda existe o preconceito de que tristeza e solidão fazem parte natural do envelhecimento. Essa ideia é equivocada. O idoso pode e deve viver de forma plena, feliz e conectado com a vida”, completa Francisco.
Para Dra. Polianna, a atenção deve começar dentro de casa. “Família, amigos e cuidadores têm um papel essencial. É importante perceber mudanças no comportamento, como desânimo persistente, isolamento e falta de interesse em atividades, pois podem ser sinais de alerta para buscar ajuda profissional”, conclui.
A cada 40 segundos, alguém morre por suicídio no mundo
Setembro Amarelo não é apenas uma campanha de conscientização, é um chamado à vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 40 segundos uma pessoa tira a própria vida no mundo. No Brasil, o suicídio já é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, um dado que escancara a urgência de discutir saúde mental, combater o estigma e ampliar as redes de acolhimento.
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A depressão é um mal crescente, que muitas vezes se esconde por trás de sorrisos até que a pessoa só consiga ver o céu cinza, esgotada de forças e sem ânimo para viver. Tudo isso em meio às pressões do mundo moderno, que tornam nossa mente um campo de batalha – alerta a Dra. Gesika Amorim, Mestre em Educação Médica e especialista em Saúde Mental.
A médica lembra que a fragilidade mental não deve ser confundida com fraqueza – O suicídio é uma emergência silenciosa, que nasce muitas vezes do desconhecimento e da falta de um olhar atento às sutilezas do sofrimento humano. A depressão pode se disfarçar atrás de sorrisos e atitudes de aparente normalidade, e por isso precisamos redobrar a atenção – reforça a dra. Gesika.
O Setembro Amarelo surge como um farol de esperança, trazendo para o centro do debate questões que por muito tempo foram silenciadas. A campanha não apenas conscientiza, mas salva vidas ao estimular a busca por ajuda – Falar sobre suicídio não incentiva a prática, mas quebra o ciclo de silêncio e dá voz a quem precisa ser ouvido – explica a Dra. Gesika.
Neste cenário, a mídia tem papel crucial: dar visibilidade às histórias de superação, orientar sobre os sinais de alerta e mostrar a importância da rede de apoio. Cada matéria publicada, cada espaço aberto ao diálogo, pode representar uma vida preservada.
A conscientização é o primeiro passo. A verdadeira prevenção vem do suporte contínuo, da escuta ativa e da construção de ambientes acolhedores, onde as pessoas possam buscar ajuda sem medo de julgamento – conclui a Dra. Gesika Amorim.
Foto de capa: Divulgação









