A Festa Literomusical de São José dos Campos (FLIM), maior evento cultural do gênero no Vale do Paraíba, não será mais realizada neste fim de semana, como estava previsto. A decisão de adiar o evento foi tomada em conjunto pela Afac (Associação para o Fomento da Arte e da Cultura), Prefeitura, Fundação Cultural Cassiano Ricardo e parceiros, e uma nova data ainda será anunciada.
O anúncio oficial fala em “respeito aos parceiros” e preservação do caráter cultural do festival, mas nos bastidores o adiamento é interpretado como consequência direta da crise instaurada após a decisão do prefeito Anderson Farias (PSD) de vetar a participação da jornalista Milly Lacombe, convidada para uma das mesas de debate.
Debandada e mesas esvaziadas
O veto à jornalista provocou reação imediata de escritores, artistas e debatedores que se retiraram da programação em protesto. A atriz Marisa Orth anunciou sua saída, e todas as sete mesas temáticas programadas para o evento ficaram desfalcadas, obrigando a organização a refazer o cronograma.
“A FLIM se consolidou em dez edições como espaço de pluralidade, de arte e de reflexão. O que vemos agora é um festival ameaçado pela interferência política e pela fuga de convidados”, avaliou um professor ouvido pelo Diário que não quis se identificar.
Impacto cultural e econômico
Ao longo dos anos, a FLIM se firmou como o maior evento literomusical do interior paulista, atraindo milhares de visitantes ao Parque Vicentina Aranha e movimentando a economia criativa da região. Além de shows, lançamentos e debates, o festival tem papel de formação de público, especialmente de estudantes: a programação previa rodas de conversa, contação de histórias e atividades didáticas para cerca de 4 mil alunos da rede pública já nesta sexta-feira.
Com o adiamento, o Parque Vicentina Aranha manterá apenas suas atividades habituais de lazer no fim de semana, sem a estrutura da festa.
Na nota oficial, a Prefeitura ressaltou que a FLIM “gera impacto positivo no comércio local e atrai milhares de visitantes”, mas não mencionou a polêmica envolvendo Milly Lacombe, considerada o estopim da crise.
O Diário de São José já havia mostrado que a decisão do prefeito gerou divisão entre os organizadores, desgaste político e perda de credibilidade do festival. A dúvida agora é se, mesmo com nova data, a FLIM conseguirá recompor a programação e recuperar a confiança de artistas e do público.
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