O acionamento das sirenes da Refinaria Henrique Lage (Revap), da Petrobras, na noite deste domingo, 4 de janeiro, provocou apreensão entre moradores do Vista Verde e de outros bairros vizinhos, na região leste de São José dos Campos. O alerta sonoro, ouvido por volta das 21h30, foi intenso e repetido, levando moradores a relatar susto, insegurança e falta de informações oficiais no momento em que o episódio ocorreu.
Segundo comunicado divulgado posteriormente pela Petrobras, foi identificado um princípio de incêndio em um equipamento da unidade de Coque da refinaria às 21h35. O fogo foi rapidamente controlado pela brigada interna da Revap e, conforme os protocolos de segurança, as sirenes foram acionadas. Não houve necessidade de evacuação, nem registro de feridos ou impactos ao meio ambiente. A refinaria segue operando normalmente.
Informação insuficiente
Apesar do controle rápido da ocorrência, o episódio evidenciou um problema recorrente na relação entre grandes complexos industriais e a população do entorno: a comunicação em tempo real. Moradores relataram que o som das sirenes foi suficiente para gerar pânico imediato, sem que houvesse orientação clara sobre o que estava acontecendo ou como a população deveria proceder.
Nas redes sociais, relatos apontaram que o barulho foi ouvido em bairros como Vista Verde e adjacências. Houve quem descrevesse o susto dentro de casa, animais agitados e sensação de vulnerabilidade. Mais grave, alguns moradores afirmaram que tentaram contato com o número de emergência da Petrobras, sem sucesso, e que nem a Polícia Militar nem o Corpo de Bombeiros tinham informações no momento inicial.
Esse vácuo de comunicação, ainda que breve, é o que transforma um incidente controlado em um episódio de medo coletivo. Entre agora no canal oficial do Diário no Whatsapp e receba notícias em tempo real.
Comunidade cobra orientação clara
Entre as manifestações mais relevantes, surgiram cobranças diretas por protocolos públicos de comunicação. Moradores defenderam que a Petrobras, em conjunto com associações de bairro e o poder público, esclareça de forma didática o significado dos diferentes toques de sirene, deixando claro quando se trata apenas de um procedimento interno e quando há, de fato, risco à comunidade externa.
A própria dinâmica relatada por moradores, de múltiplos toques iniciais e um toque único após o controle da situação, reforça a necessidade de informação prévia. Sem esse conhecimento, o som deixa de ser um alerta técnico e passa a ser um gatilho de medo. Siga o @diariodesaojose.com.br no Instagram.
Em nota, a “Petrobras informou que, no dia 4 de janeiro, às 21h35, foi identificado princípio de incêndio em um equipamento da unidade de Coque da Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos-SP. O fogo foi prontamente debelado pela brigada interna da Revap. Em cumprimento aos procedimentos de segurança, as sirenes foram acionadas, sem necessidade de evacuação da refinaria. Não houve impactos às pessoas e ao meio ambiente e a refinaria opera normalmente.”
Segurança também é comunicação
Do ponto de vista técnico, o episódio foi resolvido com eficiência. Do ponto de vista social, no entanto, ficou evidente que segurança industrial não se limita ao controle de riscos dentro dos muros da refinaria. Ela passa, necessariamente, pela transparência, pela previsibilidade e pelo respeito à população que convive diariamente com esse tipo de estrutura.
Sirenes funcionam. Mas sirenes sem contexto geram pânico. E pânico não é compatível com uma cidade que abriga um dos maiores complexos industriais do país.
Foto de capa: Divulgação









