São José dos Campos encerrou 2025 com exportações que somaram US$ 4,1 bilhões, segundo dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O valor representa crescimento de 10,4% em relação a 2024 e mantém o município entre os principais polos exportadores do Estado de São Paulo. No período, empresas instaladas na cidade venderam produtos para cerca de 120 países, com registro de 403 itens distintos na pauta internacional.
O número indica alcance global relevante. Uma leitura mais criteriosa dos dados, no entanto, aponta um cenário menos equilibrado: a maior parte da receita segue concentrada em poucos segmentos industriais, especialmente no setor aeroespacial, que continua sendo o principal motor das exportações joseenses.
Crescimento com concentração estrutural
O principal item da pauta exportadora em 2025 foi o de aviões, helicópteros e satélites, responsável por US$ 2,95 bilhões, o equivalente a aproximadamente 72% de tudo o que São José dos Campos vendeu ao exterior. Em seguida aparecem os veículos automóveis para transporte de mercadorias, com US$ 311,3 milhões (7,6%), e as partes de aeronaves, que somaram US$ 216,5 milhões (5,3%).
Também tiveram participação relevante os aparelhos elétricos para telefonia e telegrafia, com US$ 146,4 milhões (3,6%), e os automóveis de passageiros, que alcançaram US$ 60,5 milhões (1,5%). Esses cinco grupos concentraram cerca de 90% do valor total exportado pelo município, evidenciando uma estrutura produtiva de alto valor agregado, mas pouco pulverizada.
Inserção internacional sólida, mas pouco diversificada
Com esse desempenho, São José dos Campos foi o quarto maior exportador do Estado de São Paulo em 2025, posição que reflete a presença de indústrias intensivas em tecnologia, mão de obra qualificada e cadeias produtivas integradas ao comércio global.
Ao mesmo tempo, os dados expõem um desafio estrutural recorrente da economia local: diversificar destinos não significa, necessariamente, diversificar riscos. A dependência de poucos setores estratégicos torna o desempenho exportador sensível a oscilações cambiais, ciclos internacionais e decisões corporativas de grandes grupos industriais.
O crescimento registrado em 2025 confirma a força econômica da cidade, mas também reacende o debate sobre a necessidade de ampliar a base exportadora, incorporando novos segmentos produtivos capazes de reduzir a concentração e aumentar a resiliência econômica no médio e longo prazo.
Foto de capa: Divulgação
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